O musica.com.pt volta esta semana à rotina normal de publicação, depois de uma pausa que não estava planeada. Chegámos ao ponto em que continuar sem parar deixou de ser possível, depois de bastantes meses a todo o gás. O regresso atrasou-se ainda mais um dia: ontem, o único artigo publicado foi a homenagem a Luís Represas, e não fazia sentido escrever sobre mais nada nesse dia.
Hoje é dia de falar do resto, e de te explicar porquê.
Antes de mais, um grande obrigado à Gabriela e à Maria
Durante dois meses, de maio até final de junho, a Gabriela Alonso e a Maria Teixeira, estudantes do 3º Ano do curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Viseu fizeram parte desta redação, com prazos a cumprir e responsabilidade a sério.
A diferença entre fazer isto e ter mais duas pessoas não se mede só em artigos publicados. Mede-se em poder discutir uma ideia antes de a escrever, ter outro par de olhos antes de um texto ir para o ar, poder falar sobre uma música ou um evento, e chegar ao fim do dia com energia em vez de exausto.
Foi bom, sentiu-se, e assim fica aqui o nosso OBRIGADO à Gabriela e à Maria, em letras grandes e bold.
Ainda temos mais uns artigos escritos por elas que serão publicados durante os próximos dias, portanto não percas!
Um ano em modo sobrevivência
No início do ano o musica.com.pt foi alvo de ataques informáticos e outros em várias frentes, sem parar, durante 3 meses. Sobrevivemos com nota 20, mas essa nota não conta as muitas horas perdidas a perceber o que se estava a passar, a reforçar acessos, a ler e escrever linhas de código, a fazer cópias de segurança a meio da noite, sem dormir, com o coração a bater mais depressa do que deveria por causa de um site de música.
Depois ficou a rotina, que já vinha de trás: cerca de doze horas por dia, sete dias por semana, entre escrever, tratar de redes sociais, editar imagens, vídeos e audios, fazer chamadas, responder a emails a qualquer hora e resolver problemas técnicos.
De fora, um site de música parece uma coisa leve. Por dentro, é mais parecido com uma oficina que nunca fecha, onde as mesmas pessoas são mecânico, electricista, gerente, comercial, e quem limpa as poças de óleo e varre o chão ao final do dia.
Se às vezes um artigo demora mais um ou dois dias a sair, ou uma resposta a um email leva três dias em vez de três horas, é por isto, e achámos que merecias saber.
Não conseguimos cobrir tudo
O musica.com.pt é, desde sempre, um jornal feito por músicos para músicos e para quem gosta de música: quem aqui escreve também já esteve do teu lado, à espera de resposta sobre um tema em que investiu meses, gastou bastante dinheiro em equipamento e horas de estúdio, às vezes pagou para dar concertos (porque o cachet mal chegava para pagar as deslocações), e, conhecemos bem a vossa dor.
A verdade é que há demasiada música boa a sair deste país, de norte a sul, sem esquecer os Açores e a Madeira, e temos de ser honestos e aceitar (que dói menos): é impossível para uma equipa de duas pessoas (ou quatro) dar conta de tudo com o cuidado que é merecido. E assim, temos de fazer concessões e arranjar um equilibrio.
Chegam-nos bastantes pedidos todos os dias. Alguns vêm com EPK completo, contexto e datas certas, e esses fazem-nos o trabalho fácil, quase sempre acabam publicados. Outros são só um link do Spotify ou YouTube, sem uma linha à volta, às vezes sem um “bom dia” ou um “obrigado”. E há os que chegam já com tom de exigência, como se a cobertura fosse um direito adquirido em vez de uma escolha editorial.
Portanto convém afirmar: Somos um jornal independente, registado na ERC, e os critérios são nossos. E eles vão apertar, porque têm de apertar: a alternativa é publicar pior, mais depressa, e levar-nos à exaustão…. mas não é para isso que este jornal existe.
Escusado será dizer, mas dizendo-o, preferimos a qualidade sobre a quantidade.
Como nos contactar (e como não)
O que ajuda:
- Um EPK bem feito, com contexto e datas
- A história por trás do projecto, não só a ficha técnica, mas também uma biografia, algo que nos faça conhecer o projecto e as pessoas
- Fotos em boa resolução e links organizados
- Letras das músicas, se tiverem
- Pode ser um ficheiro de Word, ou ficheiro de texto, ou escrito no corpo do e-mail. Não precisamos de PDFs bonitos – a vossa música é o diferencial.
O que atrapalha:
- Um link solto, sem uma palavra de apresentação, conteúdo ou contexto
- Emails agressivos ou com prazos para “ontem”
- Exigir resposta como se fosse obrigação nossa
- Música ou materiais (capas de álbums/singles, press release, imagens, etc) feitos através ou assistidos por IA.
Isto chega. É respeito básico pelo teu tempo e pelo nosso. Se querem mais informações, podem ler este artigo sobre como preparar um press kit.
Se tiveres mesmo pressa, há alternativa
A cobertura editorial gratuita continua a depender de critério e disponibilidade, e isso não muda por causa de um prazo apertado.
Mas se precisas de garantia de publicação numa data certa, existe também o lado comercial do site: conteúdo patrocinado, com opção de tratamento prioritário e condições especiais previstas para artistas emergentes.
Se queres mais detalhes, podes ver em musica.com.pt/publicidade.
Serviço público, mas com limites
O musica.com.pt funciona, na prática, como um apoio gratuito. Uma das nossas premissas base é efectivamente ajudar os músicos/artistas/talentos/projectos a custo zero, e isso não vai mudar.
Queremos ajudar porque sabemos os custos e trabalho que cada projecto já tem sobre os seus ombros.
Mas um serviço gratuito mantido por duas pessoas tem um tecto: humano, porque há só tantas horas num dia, financeiro, porque servidores e ferramentas, rendas e contas de água, luz e telecomunicações, e deslocações custam dinheiro, e, porque o tempo de quem escreve e ouve não se paga sozinho.
Se queremos responder mais depressa, cobrir mais concertos ao vivo e dar mais espaço a entrevistas em vez de notícias rápidas, precisamos de mais do que boa vontade e doses infinitas de café.
Patreon e Buy Me a Coffee: o teu apoio conta
Por isso existem o Patreon e o Buy Me a Coffee do musica.com.pt. Podes contribuir com o valor que fizer sentido para ti, uma vez ou todos os meses, sem letras pequenas nem obrigações escondidas.
Tudo o que angariarmos volta para o jornal: mais gente para ajudar a escrever, respostas mais rápidas a quem nos escreve, margem para dizer sim a mais uma entrevista que hoje fica na gaveta por falta de tempo.
Chama-lhe investimento directo num jornal que existe porque há gente como tu a querer que a música portuguesa independente tenha uma casa onde se sinta valorizada.
O que muda a partir de agora
Os critérios editoriais vão ficar mais apertados, e algumas rubricas vão ser reorganizadas nos próximos meses, com o ritmo de publicação a ajustar-se ao ritmo que a equipa consegue mesmo sustentar.
Mas a mudança mais importante é de fundo, não de forma: queremos fazer mais entrevistas a artistas, feitas com tempo e não à pressa entre dois emails, mais artigos técnicos sobre produção e indústria musical, e passar menos tempo a apagar fogos, e a divulgar só porque “sim” e porque nos pediram.
Preferimos publicar menos e melhor do que manter o ritmo actual só para parecer sempre activos. Quem nos conhece sabe que não fazemos copy/paste do que recebemos, é isso é um valor essencial para nós – queremos ouvir a vossa música e escrever sobre ela, mais do que despejar conteúdo.
Continuar, mas de outra forma
Estes 2 últimos anos testaram os limites de uma equipa de duas pessoas. Precisávamos destas férias forçadas. Precisamos de critérios mais claros, olhar para os diversos números e estatísticas que fomos recolhendo em diversas frentes, e precisávamos de reflectir com alguma distância, para vermos onde podemos melhorar e agilizar os nossos processos.
E precisamos de ti, seja através do Patreon, do Buy Me a Coffee, ou só de continuares a ler e a partilhar o que aqui se escreve. Nada disto funciona sozinho.
O musica.com.pt volta com mais consciência dos seus limites, a prometer continuar com a mesma dedicação de sempre, ainda que sem conseguir chegar a todo o lado. Regras mais claras, uma equipa que aprendeu e quer continuar a aprender, e também a descansar de vez em quando.
A música portuguesa independente continua a ter aqui um sítio que lhe pertence, feito por gente que anda nela há muitos anos e não vai parar agora.
Agora é tempo de ir ver os e-mails, já não os vejo há 2 semanas, mais coisa menos coisa 🤣 Até ao próximo editorial!
Pedro
Chegaste ao fim deste artigo, boa!
Houve horas de escuta, pesquisa e escrita para este artigo existir. Se valorizas o que fazemos pela música nacional, apoia o Musica.com.pt!
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