Novos Românticos lançam “Pátria” com Almirante Ramos e antecipam álbum de estreia

Os Novos Românticos têm novo single, “Pátria”, lançado em colaboração com Almirante Ramos. O tema é o segundo avanço do álbum de estreia “Criptopátria”, que irá ser lançado nos primeiros meses deste ano, depois de “Mesa Posta” ter aberto o caminho em 2025. Podes ver o vídeo de “Pátria” em baixo.

Ironia, Pátria e Adamastor

Há quem cante a pátria de punho erguido. Os Novos Românticos preferem cantá-la com a sobrancelha levantada, algures entre a festa e o cansaço, entre o hino e o sarcasmo, ou entre a epopeia e o seu reverso incómodo. “Pátria” convoca o Adamastor, os Descobrimentos e os mitos fundadores, mas fá-lo numa linguagem que mistura o épico com a gíria do dia-a-dia. O resultado é uma canção que oscila entre a ironia e o niilismo, entre a vontade de derrubar e a tentação de simplesmente dormir.

O refrão de “Pátria” fala de correntes que puxam da terra para o mar, e é essa sensação de deriva, de ser arrastado por forças maiores, que atravessa todo o tema. O Adamastor aparece, não como monstro a vencer, mas como espelho de uma identidade que se alimenta de máscaras e memórias convenientemente editadas e seleccionadas.

David Félix e Emanuel Ribeiro não estão interessados em panfletos. O que os Novos Românticos fazem é mais subtil e, por isso, mais eficaz: traçam uma linha entre a retórica imperial do passado e os discursos contemporâneos sobre imigração e pertença. A mesma linguagem que glorificava conquistas serve agora para transformar pessoas em estatísticas ou ameaças. “Pátria” coloca estas ideias lado a lado e deixa o ouvinte tirar as suas conclusões.

A presença de Almirante Ramos em “Pátria” traz consigo uma carga simbólica que dialoga diretamente com o tema da canção e faz todo o sentido. O músico, melómano e figura singular é também alguém que imaginou outras pátrias possíveis.

O arranjo de “Pátria” oscila entre uma solenidade quase cerimonial e a sensação de que tudo pode desabar a qualquer momento, onde a batida seca e repetição hipnótica cortam mais do que acariciam. É festivo à superfície, mas há qualquer coisa de inquietante a fervilhar por baixo. A produção foi integralmente assumida pela banda. João Losa, parceiro de longa data de David Félix em projetos como Malibu Gas Station, tratou da gravação, mistura e masterização.

Novos Românticos, capa do single "Pátria". Créditos Artwork: Vítor Pinto
Novos Românticos, capa do single “Pátria”. Créditos Artwork: Vítor Pinto

Ficha Técnica

Voz e letra: David Félix e Almirante Ramos
Baixo: Emanuel Ribeiro
Instrumental: David Félix
Produção: David Félix e Emanuel Ribeiro
Gravação, mistura e masterização: João Losa
Videoclipe e Artwork: Vítor Pinto

De “Saudade Internacional” a “Criptopátria”: o percurso dos Novos Românticos

Os Novos Românticos formaram-se no Porto e são, na sua essência, um duo: David Félix na voz e produção e Emanuel Ribeiro no baixo. O percurso de lançamentos começou em 2023 com o EP homónimo “Novos Românticos“, seguido do EP “Saudade Internacional” em 2024. Dois trabalhos curtos que funcionaram como cartão de visita e deixaram água na boca para os trabalhos seguintes.

“Criptopátria”, tem edição prevista para os primeiros meses do ano, e vai sem dúvida aprofundar a escrita social e política que tem marcado a banda. Os temas orbitam em torno da ameaça nuclear, das tensões geopolíticas e da polarização que atravessa o mundo contemporâneo. Não é música de conforto, mas também não é música de desespero. É música que observa, questiona, torce o nariz e nos deixa a pensar.

“Pátria” já está disponível nas plataformas digitais do costume, não percas!

Instagram: @novosromanticos.pt | Bandcamp: novosromanticos

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Pedro Ribeiro
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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é o fundador do musica.com.pt. Como músico e produtor conta com mais de 25 anos de experiência no mundo da música, tendo participado em projetos como Peeeedro, Moullinex, MAU, entre outros, e tocando em venues como Lux, Maus Hábitos, Plano B, Culturgest, Glasgow School of Arts, entre muitas outras salas e locais em Portugal e no estrangeiro. Compôs música para teatro (Jorge Fraga, Graeme Pulleyn, Teatro Viriato), dança contemporânea (Romulus Neagu, Peter Michael Dietz, Patrick Murys, Teatro Viriato), TV (RTP2) e várias rádios.