Os Half Time regressaram a 14 de novembro com “Back to Me”, segundo single após o tema “Until It’s Over”. O trio formado por André Fonseca, João Nunes e João Pinto entrega uma faixa onde perda, culpa e raiva se misturam numa sonoridade rock direta, inspirada livremente no universo emocional de “The Last of Us: Parte II“. A canção marca evolução face ao EP de estreia “Nobody Rides for Free”, mostrando uma banda mais segura das suas capacidades sem perder a energia crua que a define. Podes ver o lyrics vídeo em baixo:
Raiva e saudade em choque frontal
“Back to Me” constrói-se em torno do refrão que funciona como conclusão e mantra obsessivo. A repetição do título traduz a impossibilidade de recuperar algo perdido, aquela insistência mental que surge quando sabemos que não há volta atrás mas o corpo recusa-se a aceitar. A letra navega entre vingança e arrependimento, dois estados emocionais aparentemente opostos que aqui coexistem sem resolução.
A inspiração em The Last of Us: Parte II não se manifesta através de referências literais ao jogo – na verdade, tanto o tema “Back to Me” como o jogo falam sobre a vingança, como ela não traz paz e como todos pagam um preço (físico, emocional e psicológico) quando o ódio se torna o único motivo para continuar.

Os Half Time capturam a carga emocional e a brutalidade psicológica da narrativa, transpondo-a para uma história universal de amor transformado em dor. Há uma humanidade sombria na forma como a canção trata temas pesados sem cair no melodrama.
Comparado com o material anterior dos Half Time, “Back to Me” demonstra uma nitida evolução em estúdio, maior confiança na execução e uma melhor qualidade sonora final. A banda conhece melhor os seus instrumentos, sabe onde carregar na distorção, onde rebentar e onde dar espaço. Esta maturidade não significa perda de energia, pelo contrário, permite que a intensidade surja de forma mais natural e menos forçada, tudo isto aliado a uma melhor qualidade sonora.
Informação prática
- Artista: Half Time
- Single: “Back to Me”
- Data de lançamento: 14 de novembro
- Formação: André Fonseca, João Nunes, João Pinto
- Disponibilidade: Plataformas digitais habituais
Trajectória desde 2021
Activos desde o final de 2021, os Half Time consolidaram presença na zona centro de Portugal através de concertos onde a entrega ao vivo se tornou marca registada. O EP “Nobody Rides for Free” estabeleceu as bases sonoras, e “Until It’s Over” confirmou que a banda cresceu e tinha mais para mostrar. “Back to Me” surge como o passo seguinte lógico, mantendo a coerência discográfica enquanto expande horizontes.
Musicalmente, os Half Time mantêm-se fieis ao rock alternativo que bebe das décadas de 70, 80 e 90, sem nunca soar a copy paste. A banda pega nas referências e moldam-nas à sua própria identidade, criando algo que tem a sua linguagem própria e dialoga com o passado sem viver preso nele.
Os riffs carregam peso sem serem excessivamente técnicos, temos direito a um solo de guitarra, a voz transmite intensidade emocional genuína, e a produção traz a clareza e força necessárias. Há uma crueza intrínseca ao Rock que faz com que cada elemento exista com um propósito definido e sempre a favor do tema.

Caminho traçado sem mapas definitivos
“Back to Me” dos Half Time funciona como mais uma marco no caminho da banda, após o lançamento de “Until It’s Over”. Sente-se uma banda mais madura e clara nas suas intenções: os Half Time sabem o que quer fazer e como fazê-lo. Não promete revoluções nem reinventa géneros, mas entrega rock honesto construído com atenção ao detalhe e respeito pela emoção que transporta.
A referência a The Last of Us: Parte II pode atrair curiosos, mas é a qualidade da execução que determinará se ficam. O single dos Half Time tem músculo suficiente para se aguentar sozinho, independentemente do ponto de partida conceptual. Resta saber para onde a banda caminha a seguir — mas pelo menos o presente parece bem resolvido.
Instagram: @half.time.banda | Facebook: /half.time.banda
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