Movimento Rota Sonora arranca a 10 de janeiro no Porto

O projeto Movimento Rota Sonora inaugura a 10 de janeiro de 2026, na sala Socorro, no Porto, o primeiro de vários eventos que pretendem levar música independente a todo o território nacional até 2029. O evento, que decorre entre as 17h00 e as 20h00 com bilhetes a 10 euros, junta três bandas de geografias distintas e uma performance de ilustração ao vivo, num cruzamento de disciplinas que marca o tom para os próximos três anos.

A proposta do Movimento Rota Sonora não é modesta: percorrer o país durante três anos à procura de palcos fora dos circuitos habituais. O pontapé de saída acontece numa cave da Baixa portuense que se tornou referência para quem procura música longe dos grandes holofotes.

Três cidades, três linguagens

O cartaz do primeiro evento do Movimento Rota Sonora cruza Porto, Viana do Castelo e Castelo Branco. A abrir, The Last Marquis traz do Porto um registo que mergulha na poesia do tempo. Seguem-se os Unfinished Grounds, banda vianense que chegou ao punk rock em 2023 e já acumulou reconhecimento internacional. A banda conquistou o prémio de Melhor Álbum nos Good Shit Awards 2025 com “Memories from Tomorrow”, atribuído pela PunkRockMag, repetindo a distinção de Melhor EP no ano anterior. Punk melódico com mensagem positiva e energia compacta.

A fechar a tarde entram os Wakadelics, uma das formações mais irreverentes do rock de Castelo Branco e que constroem aquilo que descrevem como “uma implosão auditiva” capaz de transportar quem ouve para órbitas distantes. Com trabalhos como “Mau Olhado” (2024) e “Osga” (2022), o quarteto albicastrense tem vindo a marcar presença em palcos como o Festival Apura e o Chaos Factory.

Durante a atuação dos Wakadelics, o ilustrador Ozzy (Miguel Fernandes) desenha em tempo real, criando uma narrativa visual em sintonia com o som. Natural de Castelo Branco, Ozzy é licenciado em Artes Plásticas, mestre em Ilustração e Animação. A sua banda desenhada de estreia, “Amável, O Pugilista Gentil”, chegou às livrarias em 2025.

Cartaz do 1º Palco do Movimento Rota Sonora - 10 de Janeiro de 2026, na Socorro, Porto
Cartaz do 1º Palco do Movimento Rota Sonora – 10 de Janeiro de 2026, na Socorro, Porto

A Socorro como ponto de partida

A Socorro, inaugurada em janeiro de 2023, nasceu de um projeto de João Pimenta (baterista dos 10 000 Russos) e Artur Nogueira. O nome recupera a memória da antiga loja Móveis Socorro, negócio familiar que marcou Barcelos durante décadas. A cave da Rua Guedes de Azevedo, junto ao Bolhão, acolhe concertos de lotação reduzida, mantendo a intimidade que espaços maiores não conseguem oferecer.

O formato do evento reflete essa filosofia. Entre as 17h00 e as 20h00, música, ilustração e performance visual ocupam o mesmo plano, sem competição entre disciplinas. A lotação é limitada e as reservas devem ser feitas por email.

Informação prática

Evento: Movimento Rota Sonora
Data: 10 de janeiro de 2026
Local: Socorro, Rua Guedes de Azevedo 44, Porto
Horário: Portas às 16h30 | Espetáculo das 17h00 às 20h00
Bilhetes: 10€
Reservas: movimentorotasonora@gmail.com
Lotação: Limitada

O que esperar do Movimento Rota Sonora

O projeto assume-se como itinerância de longo prazo. Até 2029, o Movimento Rota Sonora pretende levar arte independente a locais onde raramente chega, construindo uma rede de cumplicidades entre músicos, artistas visuais e públicos fora das capitais. O primeiro passo acontece no Porto, mas a intenção é atravessar o país, palco a palco.

Para quem anda atento ao que se faz nas margens do mapa musical português, este 10 de janeiro pode ser o início de algo que merece muita atenção!

Instagram: @movimento_rota_sonora

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Pedro Ribeiro
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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é o fundador do musica.com.pt. Como músico e produtor conta com mais de 25 anos de experiência no mundo da música, tendo participado em projetos como Peeeedro, Moullinex, MAU, entre outros, e tocando em venues como Lux, Maus Hábitos, Plano B, Culturgest, Glasgow School of Arts, entre muitas outras salas e locais em Portugal e no estrangeiro. Compôs música para teatro (Jorge Fraga, Graeme Pulleyn, Teatro Viriato), dança contemporânea (Romulus Neagu, Peter Michael Dietz, Patrick Murys, Teatro Viriato), TV (RTP2) e várias rádios.

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