Os Duques do Precariado lançaram o single “Falho”, primeiro avanço do novo disco Encarnação, cuja edição está marcada para janeiro. O tema antecipa os concertos da banda a 18 de dezembro no BOTA (Lisboa) e a 19 de dezembro no Maus Hábitos (Porto).
“Falho” constrói-se em cima de um único acorde de Dó Maior. Parece paradoxal: uma canção tecnicamente acessível a qualquer iniciado na guitarra, e que segundo nos contam “paradoxalmente, só os iniciados a sabem verdadeiramente tocar”. A banda apresenta-a como adivinha musical, uma história antiga recontada sem artifícios desnecessários. Fica o vídeo de “Falho” em baixo:
A gravação reflecte essa abordagem despojada. Sem metrónomo, num único take, juntou Pedro Mendonça (ukelele, voz), João Neves (guitarra, voz) e João Fragoso (baixo, voz), com contribuições de Teresa Costa na flauta, Hugo Oliveira nas gaitas e Zé Stark nos tambores. O resultado é uma canção que respira imperfeição intencional, onde a simplicidade não esconde fragilidade mas afirma-a.
Informação sobre os próximos concertos dos Duques do Precariado
Datas:
- 18 de dezembro – BOTA, Lisboa
- 19 de dezembro – Maus Hábitos, Porto
As duas datas funcionam como apresentação de “Falho” ao vivo e antecipação do álbum Encarnação, previsto para janeiro.
Dez anos
A história dos Duques do Precariado começa em 2014, quando Pedro Mendonça mostrou a João Fragoso canções que considerava destinadas ao descarte. Depois de conversas e gravações numa cave da Graça, apresentaram-se publicamente a 1 de maio de 2017 com “Vou Considerar”, produzido com Bernardo Fachada.

O primeiro álbum, Antropocenas (2018), chegou com sete canções que encaram o colapso sem escapismos. Ironia e ternura servem de ferramentas para atravessar os escombros. A reedição pela Lux Records em 2023 devolveu os Duques do Precariado aos palcos e abriu caminho para Encarnação.
A chegada de Encarnação em janeiro confirmará se esta abordagem se mantém ao longo de um trabalho completo. Por agora, “Falho” funciona como declaração de intenções: uma banda que não tem medo de mostrar as costuras do processo criativo e que faz dessa honestidade a sua força. Este segundo disco já conta com João Neves no processo de arranjo das canções. Voltam a gravar com Hugo Oliveira e Zé Stark, mantendo a coerência de uma banda que privilegia a colaboração orgânica.

Canção que se assume incompleta
“Falho” não procura esconder as suas limitações. Pelo contrário, faz delas matéria-prima. A opção por um único acorde não é minimalismo conceptual nem experimentalismo forçado, mas uma escolha que serve a canção. A ausência de metrónomo e a decisão de manter o primeiro take colocam a interpretação humana à frente da perfeição técnica.
Os Duques do Precariado mantêm-se fiéis a uma linguagem que privilegia o essencial. Não há ornamentação gratuita nem camadas de produção a tapar espaços vazios. O que se ouve é o que aconteceu na sala, com as hesitações e os respiros incluídos, e toda a naturalidade que daí advém. Não percas!
Instagram: @duquesdoprecariado
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