Chegou às plataformas digitais, o novo álbum de estúdio de Nenny, “ID”. Um trabalho que não se considera uma coleção de faixas, pois é o documento de identificação e manifesto de maturidade de uma das artistas que cada vez ganha mais destaque a nível nacional.
Marlene Tavares, nascida em 2002 e criada no bairro de Vialonga, já não precisa sequer de apresentações, contudo se o público já a conhecia de cor, em “ID” a artista convida a cada um de nós olhar para além dessa superfície.
Nenny: Evolução de um fenómeno
Parece que foi ontem que uma jovem de 17 anos lançou uma sequência impossível de êxitos desde “Sushi”, “Bússola”, “Tequila” e “Dona Maria” que consolidava agilidade enquanto rapper, perspicácia para cada melodia e ainda uma escrita de sensibilidade apurada. Nenny chega agora aos 23 anos com as suas habilidades sofisticadas e melhoradas por este percurso de sucesso.
“Ganhei muita maturidade ao longo dos anos e consegui reinventar-me, ser a artista que sempre quis ser”, diz Nenny, de um álbum que condensa “as experiências que eu tive, os desejos que tenho, mas também o que ainda sonho conquistar”.
Depois de um percurso nacional de sucesso, a sua carreira bateu metas e passou a internacional, com passagens históricas pelo NPR Tiny Desk e pelo A COLORS SHOW, além de três nomeações para os Prémios Play, Nenny assina agora uma obra que a mantém firmemente no topo.
Autobiografia de manifesto e raízes
“ID” fita as categorias tradicionais com imensa destreza. O álbum é também uma chamada de atenção a um sistema que tantas vezes tenta limitar a identidade dos artistas e Nenny responde com música sem rótulos.
Dentro do álbum, “Fácil” é um dos grandes pontos altos. Entre o ritmo do rap, Nenny lembra a origem das suas músicas, como refere, “O ADN destas músicas todas vem de várias comunidades negras na diáspora”, afirmando ainda a artista a necessidade de reconhecermos a história da negritude na nossa sociedade.
“O ADN da música é preto, seja pop, rock, fado, eu faço porque o ADN da música é preto” (letra de “Fácil”)
Noutras faixas como “Onde Eu Cresci”, o balanço da guitarra, cavaquinho e acordeão ensinam a festejar as saudades da nossa árvore genealógica e das raízes do nosso povo, neste caso de Cabo Verde. Aqui, Nenny junta-se a vozes conhecidas e veteranas como Lura e Bluay.
“Eu Quero um Preto” não pode ficar impune por ter sido o fenómeno e sensação viral nas redes sociais. Música com um refrão que fica na cabeça e uma prova que não é preciso acelerar o ritmo para prender a atenção de quem ouve.
Vulnerabilidade e o Superpoder
Nenny também não foge aos temas mais emocionais e despidos. Em “Hero”, uma daquelas baladas para cantar de isqueiro na mão fala-nos da solidão transformada num superpoder. Também a faixa que encerra o álbum, “Sarar”, mostra como as cicatrizes de um coração partido são encaradas como passos necessários em direção a um bem maior.
E para quem achou que Nenny abrandou em “ID” enganou-se, pois em “That Girl”, a artista autoproclama-se com atitude de uma estrela. Para além destas faixas, o álbum conta ainda com colaborações de luxo que levam cada música a outro patamar, como Carla Prata, Wet Bed Gang, Bispo e Jota.pê.

Alinhamento de “ID”
- Intro
- ID
- Tiki Taka
- Onde Eu Cresci (feat. Lura & Bluay)
- Sdds
- Não Me Fales (feat. Wet Bed Gang)
- Eu Quero Um Preto
- Fácil
- That Girl
- Parabéns (feat. Jotapê)
- Dá Me O Toque (feat. Carla Prata)
- Deja Vu (feat. Bispo)
- Prioridade
- Hero
- Sarar
Identificação
Em “ID” não existe um refrão que não seja orelhudo, uma vocalização fora do sítio ou um verso desajeitado. Se já sabíamos que Nenny era capaz enquanto perfomer e compositora de êxitos, agora com este trabalho legitima-se a uma obra de uma artista completa, com visão a longo prazo.
O cartão de “identidade” está estreado e não deixa margem para qualquer dúvida: “Here’s my ID: N-E-N-N-Y, that’s me”. Para Nenny o mundo é o limite! “ID” de Nenny já se encontra disponível em todas as plataformas digitais, não percas!
Instagram: @nenny__on
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