Os Funil & Abelhinha lançaram “3300 ao Vivo”, o primeiro álbum ao vivo da banda de Arganil, disponível desde novembro nas plataformas digitais. Gravado na terra natal do grupo, o disco regista um concerto que celebra duas décadas de ska-punk português, com participação especial de Luís Varatojo. A edição marca o arranque das comemorações dos 20 anos da banda, que prepara nova digressão e disco de originais para 2026.
Fica o vídeo de “3300 ao Vivo” em baixo:
A escolha de Arganil para gravar este momento foi chave. Os Funil & Abelhinha voltaram ao lugar onde se formaram em 2004 para captar a energia que só existe quando uma banda toca para quem a viu crescer. O número 3300 no título refere-se à localidade onde tudo começou, e o disco funciona como documento sonoro de uma relação construída ao longo de vinte anos entre palco e plateia.
O registo capta guitarras distorcidas, linhas de metais afiadas, ritmo de bateria imparável e vozes que contam histórias entre o humor e a crítica social. O que se ouve é o que aconteceu: transpiração a rodos, distorção e feedbacks, palmas fora de tempo, gritos do público aos saltos.
Luís Varatojo sobe ao palco com os Funil & Abelhinha
A presença de Luís Varatojo transformou o concerto num momento único. O vocalista dos Despe & Siga, A Naifa, Peste & Sida e Luta Livre juntou-se aos Funil & Abelhinha para interpretar “É Só Camones”, tema editado por ambos em 2024, e revisitaram “Rádio Ska” dos Despe & Siga, banda que moldou a cena ska nacional.
Luís Varatojo representa a primeira vaga do punk e ska português dos anos 90, enquanto os Funil & Abelhinha pertencem à geração que cresceu a ouvir esses discos. O palco em Arganil funcionou como ponto de encontro entre duas épocas do mesmo movimento. Não houve reverências ou homenagens pomposas, apenas músicos a tocar juntos como sempre deveria ter sido.
A colaboração entre Funil & Abelhinha e Luís Varatojo já vinha de trás. O single conjunto lançado no ano passado confirmou afinidades que vão além do estilo musical: ambos trabalham temas do quotidiano com ironia, recusam poses de rock star e tratam cada concerto como conversa alargada com quem está à frente.
“3300 ao Vivo”: Disco que documenta e celebra a carreira dos Funil & Abelhinha
“3300 ao Vivo” funciona em dois registos simultâneos. É o documento histórico de uma banda a assinalar vinte anos de actividade, mas também celebração do presente e futuro. Os Funil & Abelhinha optaram por fazer uma gravação fiel aos acontecimentos: não houve cortes, não houve rearranjos, não houve segundas oportunidades. O que falhou ficou, o que funcionou também.
A mixagem de João Santiago nos Submarine Studios manteve essa crueza intacta. A captação de som ficou a cargo de João Santiago e Diogo Craveiro, enquanto Paulo Bico e Light Rent registaram imagens do concerto. Bruno Ribeiro tratou da edição de vídeo e Pedro Leão assegurou a iluminação. A produção contou com apoio do município de Arganil, parceria que permitiu à banda documentar este momento nas melhores condições técnicas possíveis.
Alinhamento “3300 ao Vivo”
Concerto gravado em Arganil a 5 de Setembro de 2024
- Intro
- Rude Girl
- É Só Camones (c/ Luís Varatojo)
- Skastress
- Rádio Ska (c/ Luís Varatojo)
- A Vida É Isto
- O Sangue é o Mesmo
- Sacanas Sem Lei

Formação e créditos de “3300 ao vivo”
Músicos:
- Pedro Vasconcelos (voz, guitarra)
- Filipe Vasconcelos (voz)
- Luís Pereira – China (baixo)
- Bruno Ribeiro (bateria, voz)
- Pedro Marques (guitarra, voz)
- João Sêco (trombone, voz)
- Cláudio Batista (trompete)
- Samuel Silva (saxofone)
- Luís Varatojo (voz convidada)
Equipa técnica:
- Mistura e masterização: João Santiago – Submarine Studios
- Edição: João Sêco
- Captação som: João Santiago, Diogo Craveiro
- Captação imagem: Paulo Bico, Light Rent
- Edição vídeo: Bruno Ribeiro
- Iluminação: Pedro Leão
- Road/stage manager: João M. Pereira
Vinte anos entre Portugal e Espanha
Os Funil & Abelhinha nasceram quando sete amigos de Arganil decidiram formar banda depois de ouvirem “Os Primos” dos Despe & Siga. A influência foi assumida desde o início, mas o grupo soube encontrar voz própria ao cruzar o ska português com referências como Reel Big Fish, The Specials, Sublime e The Interrupters.
Duas décadas depois, a banda acumula centenas de concertos entre Portugal e Espanha. Partilharam palcos com Bad Manners, Skalibans, Xutos & Pontapés, Fita Cola, Iris e Mata-Ratos. A discografia inclui “A Califórnia é Portugal n’América” (2015), “Now 2021” (2021) e “Isto é Tudo Verdade” (2024), primeiro álbum de originais que estabeleceu os Funil & Abelhinha como nome incontornável do ska-punk lusitano.
“Isto é Tudo Verdade” trouxe temas como “A Vida é Isto”, “É Só Camones” e “SKAStress”, agora revisitados em “3300 ao vivo” com energia amplificada pelo contacto directo com o público. A diferença entre estúdio e palco é evidente: as composições ganham corpo, as brass sections expandem-se, os refrões transformam-se em cânticos colectivos.
O que vem a seguir
“3300 ao vivo” abre as celebrações dos 20 anos dos Funil & Abelhinha, mas não as encerra. A banda já prepara a “happycooltour26” para 2026, digressão que promete levar este repertório a palcos por todo o país.
Depois de provar que conseguem captar num disco ao vivo a energia que sempre os definiu, os Funil & Abelhinha preparam-se para mostrar que ainda têm muito a dizer. Vinte anos não são ponto de chegada, são uma plataforma de lançamento. E se há coisa que esta banda sabe fazer é manter a ficha ligada, mesmo quando o mundo pisca. Não percas, “3300 ao vivo” dos Funil & Abelhinha!
Instagram: @funileabelhinha | Facebook: /FunilAbelhinha
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