António Agostinho e Gonçalo Costa formam a Feira Popular, dupla lisboeta que acaba de lançar o single de estreia “Não Sei Bem”. O tema chegou na sexta passada às plataformas digitais e antecipa o primeiro EP do projeto, previsto para março de 2026. A canção trabalha synth pop e electro nostálgico cantado em português, com produção da própria banda e mistura/masterização de Luís Lucena.
“Não Sei Bem” constrói-se sobre uma base sintética que evoca a produção eletrónica dos anos 80, mas sem cair em pastiche. A Feira Popular usa sintetizadores para criar ambientes que flutuam entre melancolia urbana e movimento, com uma linha melódica que se cola ao ouvido sem truques baratos. Fica o vídeo de “Não Sei Bem” dos Feira Popular em baixo.
Fantasmas de Lisboa em formato canção
A dupla canta sobre Lisboa, mas foge do postal ilustrado. Os temas da Feira Popular centram-se nos fantasmas que habitam a cidade, nas promessas adiadas, no tempo que escapa entre dedos. “Não Sei Bem” capta precisamente essa sensação de deriva, de quem caminha sem destino certo mas continua a andar. Há urgência contida na forma como a batida electrónica empurra a canção, enquanto a melodia vocal sugere hesitação.

O português surge natural, sem forçar rimas elaboradas ou construções rebuscadas. As letras da Feira Popular procuram a comunicação directa, frases que grudam na memória e pedem repetição. O projeto assume claramente a vontade de criar canções para sing-alongs onde a melodia faz metade do trabalho.
António Agostinho e Gonçalo Costa assinam a produção de “Não Sei Bem”, escolha que confere coerência ao som da Feira Popular. Para a mistura e masterização, a Feira Popular recorreu a Luís Lucena e o vídeo que acompanha o single ficou a cargo de Margaux Dauby, que trouxe a dimensão visual necessária ao imaginário do projeto.

Synth pop português sem artifícios
O synth pop português tem conhecido várias vagas nas últimas décadas, algumas mais conseguidas que outras. A Feira Popular chega num momento em que o género voltou a ganhar espaço, com uma aposta em melodias funcionais, arranjos eficazes e letras que comunicam sem rodeios. Devido a vidas passadas e paralelas, fico a pensar que algum layering nos synths poderia ajudar a certos sons ganharem mais corpo e presença, mas no geral “Não Sei Bem” funciona porque não tenta ser mais do que é: uma canção pop eletrónica bem construída, cantada em português, sobre viver numa cidade que já foi outra coisa.
Se a Feira Popular conseguir manter este equilíbrio no EP de março de 2026, teremos um projeto bastante interessante a crescer no panorama nacional. O single já está disponível em todas as plataformas digitais, não percas!
Instagram: @afeirapop
Queres ver mais notícias sobre música portuguesa? Carrega aqui! Se estás interessado em concertos ou festivais, dá uma vista de olhos no Calendário de Concertos e Festivais.
