LAN Trio edita o seu terceiro álbum de estúdio, “Chamas”
O LAN Trio editou o seu mais recente registo “Chamas” esta sexta-feira, 11 de Setembro. “Chamas” é o terceiro álbum de estúdio de um dos cruzamentos mais inesperados do jazz europeu contemporâneo. Com Mário Laginha ao piano, Julian Argüelles nos saxofones tenor e soprano e no clarinete baixo, e Helge Andreas Norbakken na bateria e percussão, os três músicos fundem-se, mais uma vez, numa linguagem e som comum.
Podes ver o teaser de “Chamas” em baixo.
A preparar player…
“Chamas” ou o fogo criativo que não deixa de arder.
A música de LAN Trio em “Chamas” mostra-nos três processos e abordagens distintas, tanto a nível de composição, improvisação e pós-produção, que são trabalhados de um modo inesperado. O resultado desta fusão atesta tanto a experiência e consistência, como a capacidade de reinvenção do projecto e dos seus intervenientes.
Aos temas característicos de Mário Laginha e Julian Argüelles juntam-se agora várias improvisações colectivas que contam também com o fogo de Helge Norbakken, apresentando nos temas com uma coerência formal que muitos tomariam por composições fechadas à partida, mas que na verdade não o são.
A preparar player…
“Chamas” veste-se como um álbum maioritariamente improvisado, e pode ler-se como uma espécie de manifesto, pois não abdica de um sentido forte de melodia, harmonia e groove. Os resultados soam frescos, e com músicos com esta experiência e currículo, qualquer improvisação leva-nos a paisagens distintas, mas coerentes entre si e que formam um todo bastante interessante.
Em “Chamas”, a proporção entre temas compostos e improvisações inverte-se face aos álbuns anteriores: quatro temas fechados à partida contra nove improvisações colectivas. Mário Laginha assina os inéditos “Trilho Comum” (faixa 1) e “Passos na Sombra” (faixa 10). Julian Argüelles contribui com um novo arranjo de “Para Percy” (faixa 4), publicado originalmente em “Doublespeak” (2024), e com o inédito “Another Simple Question” (faixa 7). As restantes nove faixas, incluindo “Vanishing Point”, a última, que recebeu camadas adicionais em pós-produção, são improvisações colectivas.

Alinhamento de “Chamas” do LAN Trio
- “Trilho Comum”
- “Poema do Triciclo”
- “Mala Errada”
- “Para Percy”
- “Fritillary”
- “Abraço de Árvore”
- “Another Simple Question”
- “Madrugada”
- “As Folhas e o Vento”
- “Passos na Sombra”
- “Derivation”
- “Newark Flash”
- “Vanishing Point”
O álbum foi gravado por André Fernandes no Timbuktu Studio, em Lisboa, em Setembro de 2024, com mistura de August Wanngren no estúdio Vinkeligheden, em Copenhaga, e masterização de Sofia von Hage e Thomas Eberger em Estocolmo. A produção é assinada por João Esteves da Silva e pelo LAN Trio.
LAN Trio: Laginha, Argüelles e Norbakken
O nome do grupo funciona como duplo sentido: é o acrónimo de Laginha, Argüelles e Norbakken, mas também como uma truncagem de “Atlântico”, o álbum anterior. LAN Trio estreou-se em estúdio com “Setembro” (2017), tendo Laginha como principal compositor, e prosseguiu com “Atlântico” (2020), já com a autoria dos temas repartida pelos três. Segundo as notas de programa que acompanham “Chamas”, o grupo funciona sem hierarquia: substituir um dos três músicos resultaria noutro projecto, ao contrário do que sucede nos restantes grupos de cada um deles.

Um fogo que arde sem se ver
O título “Chamas” tem um duplo sentido, segundo as notas de programa que acompanham o álbum: remete tanto para o fogo como para o movimento de uma fritilária, flor e borboleta, ambas de tons alaranjados. Mas as chamas de Mário Laginha, Julien Argüelles e Helge Norbakken não são as de um incêndio: aproximam-se antes do fogo contido de uma lareira ou de uma fogueira, disciplinado mas, ainda assim, livre. Não percas este lançamento!
Bandcamp: https://lantrio.bandcamp.com
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