É lançado a 31 de maio o disco “Bach por Quodlibet Quintet”, um projeto que une cinco músicos de referência no jazz nacional: Daniel Bernardes (piano e composição), Ricardo Toscano (saxofone e clarinete), João Barradas (acordeão), Demian Cabaud (contrabaixo) e Joel Silva (bateria). O álbum é editado pela Artway Editions e resulta de uma encomenda do Festival Around Classic, que o apresentará ao vivo no Cinema São Jorge, em Lisboa, no mesmo dia, pelas 22h.
O ponto de partida? A obra de Johann Sebastian Bach, repensada e reinventada a partir de uma perspetiva jazzística, com arranjos ousados de Daniel Bernardes. Esta proposta dos Quodlibet Quintet e Artway funde a reverência à complexidade do mestre alemão com uma abordagem livre, atual e profundamente criativa, que não tem medo de experimentar e de transformar.
Um disco que desafia fronteiras
Daniel Bernardes não esconde o desafio e o fascínio por Bach: “Abordar a música de Bach num contexto jazz é uma proposta, no mínimo, ousada. Quis fazê-lo com um gesto vincado, fresco, solto de preconceito… e tirar partido das expectativas de quem nos ouve.”
A estrutura do álbum assenta em técnicas inspiradas nas artes visuais, como a colagem e o phasing, criando uma tapeçaria sonora onde diferentes peças e tempos se sobrepõem, misturam e ressoam. Em “Phasing Collage”, por exemplo, ouve-se o coral “Nun komm, der Heiden Heiland” entrelaçado com o Prelúdio em Dó menor, com piano e acordeão em desfasamento progressivo. Já o Largo do Concerto n.º 5 para teclado surge reinventado com politemporalidade, ganhando uma nova dimensão etérea pelas mãos dos Quodlibet Quintet.

A palavra “quodlibet” – termo que designava no Renascimento a mistura de temas sagrados e profanos – encaixa perfeitamente neste projeto. Embora a superfície seja Bach, o que se ouve vai muito além: há ecos de Steve Reich, Brad Mehldau, Glenn Gould ou do próprio jazz português contemporâneo.
É nesta liberdade criativa que o quinteto Quodlibet Quintet encontra o seu eixo. O som é construído a partir dos fragmentos de Bach, mas ganha nova vida com a personalidade musical dos cinco intérpretes, todos eles nomes incontornáveis do panorama jazzístico nacional e internacional.
Alinhamento do disco “Bach por Quodlibet Quintet”
- Intro – Fallen Petals Rise (2:46)
- Fallen Petals Rise (7:36)
- Phasing Collage (7:04)
- Largo from Keyboard Concerto No. 5, BWV 1056 (4:15)
- Collage in G (2:39)
- Collage in G – Interlude (1:40)
- Collage in G – Final (6:24)
- B.M. I (3:14)
- B.M. II (3:28)
- Intro – Collage in E (1:45)
Quem são os músicos do Quodlibet Quintet?

Daniel Bernardes
Pianista e compositor natural de Alcobaça, Daniel Bernardes começou a estudar piano aos cinco anos e formou-se em Paris, na École Normale de Musique. Regressou a Portugal para se afirmar no jazz, tendo trabalhado com nomes como Filipe Melo e João Paulo Esteves da Silva. A sua carreira cruza o jazz com a música erudita e estende-se ao teatro, cinema e projetos com ensembles de percussão e coros clássicos. Entre os seus projetos destacam-se Crossfade Ensemble e A Liturgia dos Pássaros, elogiado pela revista norte-americana JazzTimes.
Ricardo Toscano
Saxofonista e clarinetista, nasceu em Lisboa e cresceu na Amora. Começou na filarmónica local e, desde cedo, revelou um talento excecional. Aos 17 anos já frequentava a Escola Superior de Música de Lisboa e, em 2011, foi distinguido com o Prémio Jovens Músicos. O seu álbum de estreia chegou em 2018 e, desde então, tem marcado presença no jazz nacional com múltiplas formações, como o seu quarteto ou trio, e com atuações que vão de homenagens a Charlie Parker a explorações modernas com músicos internacionais.
João Barradas
Figura de referência no acordeão contemporâneo, João Barradas move-se entre a música clássica e a improvisação. Tocou como solista com algumas das principais orquestras europeias, sob a direção de maestros como Edward Gardner e Alondra de la Parra. No jazz, colabora com nomes como Mark Turner, Peter Evans ou Mike Stern, e foi distinguido como ECHO Rising Star. Em 2024, é Artista em Residência na Casa da Música e vencedor do Sir Jeffrey Tate Award na Alemanha.

Demian Cabaud
Contrabaixista argentino radicado em Portugal, Demian Cabaud estudou na Berklee College of Music, em Boston, e desde 2004 tornou-se presença constante no jazz português. Com mais de 85 discos gravados, liderou vários álbuns em nome próprio e colaborou com figuras como Lee Konitz, Joe Lovano e Maria João. É também membro da Orquestra Jazz de Matosinhos há mais de 20 anos e professor no prestigiado Siena Jazz Master Program, em Itália.
Joel Silva
Baterista versátil e muito requisitado, iniciou os seus estudos em Leiria e licenciou-se na ESMAE, no Porto. Já acompanhou artistas como Maria João, Salvador Sobral, Cristina Branco ou António Zambujo e tocou em festivais por todo o mundo. É também professor no Hot Clube de Portugal e lançou em nome próprio o álbum Geyser, considerado um dos melhores discos de jazz editados em Portugal. Para além de músico, tem desenvolvido trabalho como produtor, nomeadamente no disco Paris, Lisboa, de Salvador Sobral.
Quodlibet Quintet ao vivo em Lisboa
A apresentação oficial do disco acontece no Festival Around Classic – Pela Beleza do Gesto, a 31 de maio, pelas 22h, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge, em Lisboa. Será uma oportunidade rara de assistir ao vivo a este encontro de mestres em palco, num espetáculo que promete surpreender tanto pela execução irrepreensível como pelo espírito de reinvenção que faz parte dos Quodlibet Quintet.
“Bach por Quodlibet Quintet” não é apenas um disco de jazz, nem uma releitura clássica. É uma obra original, feita de encontros improváveis e de liberdade artística. Ao reinventar Bach, Daniel Bernardes e os seus cúmplices musicais dos Quodlibet Quintet criam um objeto sonoro único, que desafia rótulos e celebra a beleza do gesto, como sugere o título do festival.
O álbum está disponível a partir de 31 de maio nas plataformas digitais e em edição física limitada.
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