Mão é o novo projecto que junta DJ Vibe e Paulo Pedro Gonçalves, dois dos nomes mais relevantes da música feita em Portugal nas últimas quatro décadas. O single de avanço “Brasil de Janeiro” já está disponível em todas as plataformas digitais e antecipa o álbum de estreia homónimo, com lançamento marcado para 16 de Abril pela Chic Choc Music, editora independente fundada pela dupla.
Gravado no estúdio de DJ Vibe em Lisboa, o disco traz oito faixas que propõem uma viagem sonora por diferentes geografias e linguagens musicais, da América à Ásia. Podes ver o vídeo de “Brasil de Janeiro” dos Mão em baixo.
“Brasil de Janeiro”: o primeiro destino de Mão
“Brasil de Janeiro” é a porta de entrada para o universo de Mão e a primeira de oito paragens num disco que funciona como roteiro pelo mundo. Cada faixa do álbum de estreia corresponde a um destino geográfico, com referências às sonoridades e aos protagonistas musicais de cada lugar. Nesta primeira escala, DJ Vibe e Paulo Pedro Gonçalves olham para o Brasil e as suas texturas rítmicas e sonoras, filtrando-as através de uma produção que mistura guitarras, sintetizadores e programação electrónica.
O resultado foge ao conceito habitual de house music. Há arpeggios que puxam para a pista de dança, BPMs que não te deixam quieto, mas também uma camada instrumental orgânica que impede o tema de se tornar mais um exercício de clube com uma estrutura pré-formatada. A fusão entre electrónica e instrumentação é, aliás, o ADN que define Mão enquanto projecto que vive em simbiose: um território próprio que não é rock com batidas por cima, nem electrónica com guitarra decorativa.
O single chega acompanhado de um videoclipe realizado por Richard F. Coelho, construído a partir de imagens analógicas de arquivo. O contraste é propositado: um tratamento visual orgânico e táctil, com loops visuais e cortes, para uma canção de natureza electrónica que no fundo sublinha essa tensão entre mundos que atravessa todo o projecto.

“Mão”: oito viagens, uma editora própria
O álbum homónimo de Mão sai a 16 de Abril com oito faixas e chega com o selo da Chic Choc Music, editora criada por DJ Vibe e Paulo Pedro Gonçalves para garantir total autonomia criativa. A decisão de montar uma editora própria não é inocente e revela a intenção de manter o projecto fora de compromissos externos, das pressões de catálogo à dependência de A&R alheio.
A produção ficou a cargo da dupla, que gravou e trabalhou o disco no estúdio lisboeta de DJ Vibe. O conceito do álbum assenta nessa ideia de cartografia musical: cada tema é uma coordenada no mapa, cada destino vem com a respectiva paleta sonora. Se “Brasil de Janeiro” aponta para a América do Sul, as restantes sete faixas prometem abrir o compasso para outras latitudes e outros vocabulários rítmicos de todo o mundo.
DJ Vibe e Paulo Pedro Gonçalves
DJ Vibe e Paulo Pedro Gonçalves dispensam apresentações. Eles já se tinham cruzado nos LX-90, no início dos anos 90, onde tentaram pela primeira vez juntar rock e electrónica num único disco (“Uma Revolução Por Minuto“, 1991). Mais de três décadas depois, Mão retoma e aprofunda essa conversa.
DJ Vibe (Tó Pereira) é o DJ português com maior projecção internacional. Começou aos 15 anos, em 1983, no Bataclan em Lisboa. Dali saltou para residências longas no Kremlin e no Lux Frágil, co-fundou a Kaos Records (uma das primeiras editoras nacionais de música de dança) e, com Rui da Silva, criou os Underground Sound of Lisbon. O single/clássico das pistas de dança “So Get Up” (1994) chegou ao topo do Billboard Club Chart. Tocou no Ministry of Sound em Londres, Space de Ibiza, no Stereo de Montreal, no Womb de Tóquio, entre tantos outros. São várias décadas de dancefloors espalhados por todo o mundo e de festivais como o Sonar ao Rock in Rio, sem nunca parar.
Paulo Pedro Gonçalves é um dos grandes arquitectos do rock moderno português. Em 1977, com Pedro Ayres Magalhães, fundou Os Faíscas, tida como a primeira banda punk do país. Seguiram-se os Corpo Diplomático (new wave, 1979) e, em 1981, os Heróis do Mar, banda que dispensa apresentações. Depois do fim dos Heróis do Mar, Paulo Pedro Gonçalves fundou os LX-90 com Rui Pregal da Cunha, projecto que mais tarde muda de nome para Kick Out The Jams em Londres, e tendo ainda lançado dois discos com o projecto Ovelha Negra.
Mão é um reencontro que vale a pena
“Brasil de Janeiro” surge com ganas e vontade de arriscar, de ir a sítios novos, e de fundir linguagens diversas sem pedir licença a nenhuma delas. Não é a primeira vez que DJ Vibe e Paulo Pedro Gonçalves já tinham tentado este casamento entre rock e electrónica, mas fizeram-no numa altura em que o conceito era quase ficção científica em Portugal e a tecnologia existente não permitia e era o que é hoje.
Com o lançamento do disco marcado para 16 de Abril, “Brasil de Janeiro” cumpre assim o papel de abrir o apetite e instalar a pergunta óbvia: se a primeira paragem dos Mão soa assim, o que guardam as outras sete? Ficamos curiosos. “Brasil de Janeiro” já está disponível em todas as plataformas digitais, não percas!
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