O duo Feira Popular, formado por António Agostinho e Gonçalo Costa, acaba de lançar “Carrossel”, segundo single do projecto e novo avanço para o EP de estreia previsto para 13 de março. O tema conta com a participação de Femme Falafel e já está disponível em todas as plataformas digitais. A produção é assinada pelos próprios Feira Popular, com co-produção, mistura e masterização de Luís Lucena.
Podes ouvir “Carrossel” dos Feira Popular em colaboração com Femme Falafel em baixo.
8-bit, anos 80 e o Poço da Morte
“Carrossel” soa a tardes passadas em casa a jogar Game Boy ou NES. Os sintetizadores têm aquela granulação e resonância típica de chips 8-bit SID dos 80s e início dos 90’s com melodias a desenharem-se em pixéis antes de se transformarem em canção. A guitarra aparece em alturas chave, pontua e vai-se embora sem fazer cerimónia. No refrão, a voz de Femme Falafel junta-se à de António Agostinho lado a lado, como quem divide o volante numa viagem longa e nostálgica onde nada já é como antigamente.
Se fecharmos os olhos, conseguimo-nos imaginar na Feira Popular, com as luzes e constantes estímulos das diferentes diversões – do Poço da Morte à vidente róbotica que lia a sina por vinte escudos (como podemos ouvir no tema), ao comboio fantasma e à montanha-russa, entre farturas, sardinhas assadas e promessas de “mais um bilhete, mais uma viagem”.

A produção de Luís Lucena mantém tudo num registo deliberadamente fiel à epoca, sem a limpeza clínica a que a produção moderna nos habituou. Parece uma cassete regravada até ao tutano, com os fantasmas do que lá estava ainda a espreitar por baixo.
A participação de Femme Falafel resulta de uma proximidade que já existia antes de Feira Popular existir e assenta que nem uma luva. Raquel Pimpão (o nome civil por trás do alter-ego) já tinha colaborado com os Reino da Fruta, projecto de Gonçalo Costa e João Abelaira Nascimento, no single “Hulala” em 2024. A pianista das Caldas da Rainha, formada em jazz na Escola Superior de Música de Lisboa, venceu o Festival Termómetro em 2023 e editou o álbum “Dói-Dói Proibido” pela Revolve no ano passado.
Feira Popular: Dois mundos musicais, uma obsessão comum
António Agostinho carrega consigo os Melquiades, banda de Lisboa e Setúbal que desde 2017 mistura post-rock, math e fusão latina com uma elegância oblíqua. Gonçalo Costa vem dos Reino da Fruta, duo de synthpop dançável que editou um EP homónimo em 2024. São percursos que pouco têm em comum à superfície, mas que partilham uma mesma musa: Lisboa como personagem, cenário e fantasma.
Em Feira Popular, essa narrativa ganha forma através de canções em português pensadas para o coro colectivo. Synth pop com ginga, melodias directas, letras que olham para trás e projetam imagens perdidas na nossa cabeça. O primeiro single, “Não Sei Bem“, lançado em 2025, estabeleceu as coordenadas: canções em português sobre uma Lisboa suspensa entre o que foi e o que promete ser, mas nunca chega.

O que vem a seguir
A Feira Popular de Lisboa fechou em 2003 e no seu lugar erguem-se agora apartamentos de luxo com vista para a Avenida da República. O Poço da Morte deu lugar a varandas com estores eléctricos. A vidente robótica foi substituída por porteiros de fato. António Agostinho e Gonçalo Costa sabem que não vão ressuscitar o que já não existe, mas podem pelo menos cantar-lhe em cima da campa.
E é isso que fazem: synth pop com cheiro a algodão doce e ferrugem, melodias para assobiar enquanto se caminha por uma cidade que já não reconhecemos. Feira Popular não reinventa a cassete, mas sabe onde a quer pôr a girar – e em repeat.
“Carrossel” é o segundo single que antecede o EP de estreia de Feira Popular, com lançamento marcado para 13 de março de 2026. O tema já se encontra disponível nas plataformas do costume, não percas!
Instagram Feira Popular: @afeirapop | Instagram Femme Falafel: @_femmefalafel
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