Davi Santiago lança “Olha o Brilho”, primeiro avanço do EP “Fui Só Amor”

O músico luso-brasileiro Davi Santiago apresenta “Olha o Brilho”, single que abre caminho para o seu primeiro EP, “Fui Só Amor”, com edição marcada para 10 de abril. Com 21 anos e uma voz que carrega cicatrizes físicas e emocionais, o artista natural do Rio de Janeiro e radicado em Viseu constrói um universo sonoro onde Brasil e Portugal se encontram sem cerimónias, entre o folk introspetivo e a MPB contemporânea.

O single chega acompanhado de videoclipe realizado por Rita Cruz, um trabalho visual que opta pelo escuro total como tela de fundo – há ali sono, noite, morte, melancolia e transcendência. Davi Santiago canta à lua como quem reza, pedindo que o amor durma em paz, e a melodia embala esse trânsito entre o real e o onírico até ao momento em que uma frase se repete como mantra.

Podes ver o vídeo de “Olha o Brilho” em baixo.

Uma voz que nasceu duas vezes

A história de Davi Santiago começa com uma condição que lhe impedia a projeção vocal. Uma cirurgia reverteu o problema, mas deixou marcas. A cicatriz resultante confere à sua voz uma textura rouca, uma aspereza que se tornou marca distintiva. Não é defeito que se disfarça, é característica que se assume.

A carreira arrancou em 2024, quando um membro do júri de um concurso de canções lhe ofereceu estúdio para gravar “Pra se dar”, o primeiro single. De lá para cá, o percurso ganhou tracção, incluindo o financiamento da Câmara de Viseu para a gravação de “Fui Só Amor”.

Davi Santiago ao vivo no Festival Mosaico, Viseu. Crédito Fotografia: Musica.com.pt
Davi Santiago ao vivo no Festival Mosaico, Viseu. Crédito Fotografia: Kateryna Agafonova, Musica.com.pt

“Fui Só Amor”: sete faixas entre dois continentes

O EP reúne seis canções e um poema, navegando por territórios onde Djavan, Paulinho Pedra Azul e Tata Barahona cruzam com Hozier, Nick Drake e Nico. É o que acontece quando alguém cresce entre duas culturas e decide não escolher.

A produção ficou a cargo de Rúben Teixeira e Guilherme Marta, com uma banda de cinco músicos: Gonçalo Froufe na guitarra elétrica, Guilherme Marta na guitarra braguesa, Mariana Lopes na voz, Pedro Novo no baixo e Rúben Teixeira na bateria. Com esta expansão ganha-se uma densidade que o primeiro single, gravado a solo, não tinha. As canções respiram em conjunto, exploram morte, amor e autoconhecimento sem cair no óbvio.

O próprio Davi Santiago resume o trabalho como “uma jornada de descoberta sobre o que é o amor, até ao momento da morte”. É a descrição honesta de um disco que não promete leveza, mas onde a música se toca como tal.

Davi Santiago, capa do single "Olha o Brilho"
Davi Santiago, capa do single “Olha o Brilho”

À espera de abril

Há qualquer coisa de raro em ouvir alguém tão novo cantar sobre amor e morte, quando a tendência é ou fugir destes temas ou abraçá-los com uma dramatização excessiva. Davi Santiago faz isso com uma naturalidade que desarma, como se estas canções tivessem existido sempre e ele se tivesse limitado a encontrá-las no seu subconsciente.

“Olha o Brilho” entra devagar e conquista a nossa atenção. É música que fica, daquelas que se descobre melhor à segunda ou terceira escuta, que tem daquelas modulações / “tensões-e-releases” que a gente gosta, e que bate exatamente quando já não estamos à espera de nada e deixamos a coisa acontecer.

Se o resto de “Fui Só Amor” de Davi Santiago seguir este caminho, abril pode trazer-nos um disco de estreia que vai ficar no ouvido. Para já, não percas o primeiro single “Olha o Brilho”, já disponível nas plataformas do costume!

Instagram: @ddavi_santiago | Facebook: /davi.santiago.16503

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Pedro Ribeiro
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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é o fundador do musica.com.pt. Como músico e produtor conta com mais de 25 anos de experiência no mundo da música, tendo participado em projetos como Peeeedro, Moullinex, MAU, entre outros, e tocando em venues como Lux, Maus Hábitos, Plano B, Culturgest, Glasgow School of Arts, entre muitas outras salas e locais em Portugal e no estrangeiro. Compôs música para teatro (Jorge Fraga, Graeme Pulleyn, Teatro Viriato), dança contemporânea (Romulus Neagu, Peter Michael Dietz, Patrick Murys, Teatro Viriato), TV (RTP2) e várias rádios.

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