A Formiga Atómica traz “Só Mais Uma Gaivota” ao Teatro Viriato, em Viseu. A peça, com direcção de Inês Barahona e Miguel Fragata, sobe ao palco no dia 13 de março, às 21h00. O ponto de partida é “A Gaivota” de Tchékhov, mas o que se passa em palco vai além da ficção: Miguel Fragata foi à procura dos colegas com quem, há exactamente 20 anos, apresentou essa mesma peça como trabalho de fim de curso na ESMAE.
No dia seguinte, 14 de março às 16h00, é exibido o documentário “Gaivotas em Terra”, que acompanha o projecto.
A história por trás de “Só Mais Uma Gaivota”
Em 2005, no Teatro Helena Sá e Costa (ESMAE, Porto), um grupo de finalistas do curso de teatro apresentou “A Gaivota” de Tchékhov como trabalho de fim de curso. Miguel Fragata era um desses jovens. Duas décadas depois, o actor e encenador foi à procura dos seus colegas para perceber onde a vida os levou, o que ficou do teatro, o que ficou das expectativas com que saíram daquela sala.
O resultado é um espectáculo que cruza excertos do texto original de Tchékhov com os testemunhos reais de treze actores. Não se trata de uma encenação convencional da peça russa, “Só Mais Uma Gaivota” usa o clássico como espelho para reflectir trajectórias concretas, com nomes e rostos de pessoas que existem fora do palco.
“Foi esse texto que criou pela primeira vez a sensação de que o teatro podia dialogar com a realidade”, explica Miguel Fragata sobre a relação com “A Gaivota”, obra que o acompanha desde os tempos de estudante.
Inês Barahona, responsável pela dramaturgia, descreve o processo como uma tecelagem entre o texto de Tchékhov e a apropriação da realidade.
“Foi uma tecelagem complexa. Por um lado, há a tendência para sacralizar o texto de Tchékhov, que permanece praticamente intocado nos excertos que vão surgindo no espetáculo, embora, por exemplo, a existência de diferentes traduções nos tenha feito questionar em qual delas estava o verdadeiro Tchékhov.”, explica Inês Barahona.
Os excertos da peça original mantêm-se praticamente intocados, mas o confronto com as histórias reais dos actores abre leituras que o texto sozinho não alcançaria.
“Gaivotas em Terra”: o documentário
O trabalho de pesquisa da Formiga Atómica não se esgotou no palco. “Gaivotas em Terra” é o documentário realizado pela dupla JUNO (Joana X e Nuno Marques), construído a partir das entrevistas que Miguel Fragata fez aos seus antigos colegas de curso. O filme mostra onde estão hoje, duas décadas depois daquela “Gaivota” de 2005.
A exibição acontece no dia seguinte ao espectáculo, 14 de março, às 16h00, no Teatro Viriato. O bilhete da peça dá acesso ao documentário.
Informação Geral & Conclusão
- O quê: “Só Mais Uma Gaivota”, da companhia Formiga Atómica (direcção de Inês Barahona e Miguel Fragata)
- Quando: 13 de março, 21h00
- Onde: Teatro Viriato, Viseu
- Documentário “Gaivotas em Terra”: 14 de março, 16h00 (incluído no bilhete da peça)
- Acessibilidade: Audiodescrição e Língua Gestual Portuguesa (sessão de 13 de março)
- Bilhetes: Disponíveis na bilheteira e site do Teatro Viriato e na BOL
Tchékhov escreveu “A Gaivota” em 1896. Cento e trinta anos depois (mais ou menos), a pergunta que atravessa a peça continua bastante actual: o que fazemos com os nossos sonhos, quando a realidade bate à porta? A Formiga Atómica não responde por Tchékhov, mas põe treze pessoas reais a responder por si próprias. E isso, talvez, diga mais do que qualquer ficção.
Site oficial do Teatro Viriato: teatroviriato.com | Instagram: @teatro_viriato
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