Unsafe Space Garden lançam “O Melhor e o Pior da Música Biológica”

Os Unsafe Space Garden lançaram hoje, 4 de março, “O Melhor e o Pior da Música Biológica”, quarto álbum de originais do sexteto vimaranense, editado pela gig.ROCKS!. São nove faixas inteiramente cantadas em português (uma estreia absoluta na discografia da banda), gravadas e produzidas por Rafael Silver, e que oscilam entre o rock psicadélico, o rock progressivo, o theatre rock, a tradição musical portuguesa e qualquer coisa que ainda não tem nome.

Fica o vídeo de “Mais Uma Voltinha” em baixo.

“O Melhor e o Pior da Música Biológica”: Um disco que não pára quieto

Depois do confronto directo de FKNKU e da viagem comunitária de “Mais Uma Voltinha” (os dois singles de avanço que anteciparam este trabalho), já calculávamos que os Unsafe Space Garden andavam a jardinar algo de diferente. O que não sabíamos era o quão longe iriam. “O Melhor e o Pior da Música Biológica” é um disco imprevisível no sentido mais literal da palavra: cada faixa parece abrir uma porta para uma sala que não existia no corredor de há dois minutos atrás.

Ora estamos num cabaré de outro planeta, ora caímos num rancho folclórico que alguém ligou a uma pedaleira de efeitos, ora tropeçamos num hino que pede para ser cantado aos berros por 500 pessoas com o braço no ombro do vizinho ou vizinha. Tentar descrever “O Melhor e o Pior da Música Biológica” faixa a faixa seria um exercício ingrato e potencialmente infinito.

As nove canções dos Unsafe Space Garden saltam entre registos com a naturalidade de quem muda de assunto ao balcão de um café, e com a precisão de quem sabe exactamente onde quer ir parar. O psicadelismo convive com guitarras funk, as harmonias vocais roçam o disco sound, as batidas fazem o chão tremer, e por baixo de tudo, correm rios-e-cascatas de prog rock que mantêm a estrutura de pé quando tudo parecia prestes a capotar.

Há momentos de puro theatre rock em que a banda parece montar e desmontar cenários dentro da própria canção. Há passagens onde o som se torna quase alienígena, como se alguém tivesse interceptado uma transmissão de uma civilização que inventou o funk antes de nós. E há, sobretudo, canções bem construídas, com refrões que ficam no ouvido, pontes que surpreendem e finais que raramente são aquilo que esperávamos.

Ao longo do álbum vamos da dissolução mental das paredes (literalmente, é o título de uma faixa) à celebração despudorada da existência, passando por aquele tipo de humor que só funciona em português, aquele que ri com os dentes todos enquanto mete o dedo na ferida e cospe uns gafanhotos.

Unsafe Space Garden, capa do álbum "O Melhor e o Pior da Música Biológica"
Unsafe Space Garden, capa do álbum “O Melhor e o Pior da Música Biológica”

Créditos e Convidados Especiais (ou espaciais ?)

A gravação, mistura e masterização ficou a cargo de Rafael Silver, o design é de ELLEONOR, a fotografia de Matilde Cunha, e existe uma edição especial em vinil transparente limitada a 300 exemplares.

Os Alunos de Música da Universidade Sénior de Moreira de Cónegos aparecem nos coros de “Mais Uma Voltinha”, e o jornalista e relator desportivo João Ricardo Pateiro entra em “Ser Humano” a descrever a evolução das espécies com a intensidade de um golo aos 90 minutos.

Tracklist de “O Melhor e o Pior da Música Biológica” dos Unsafe Space Garden

  1. Tás Aqui?
  2. FKNKU
  3. Sítios
  4. Ser Humano
  5. Mais Uma Voltinha
  6. Possível Dissolução Mental das Paredes
  7. Já Não Há Pachorra
  8. Ode à Vida
  9. A Vida Não É Uma Merda

De Guimarães para Austin, Brighton e de volta

Os Unsafe Space Garden vão marcar presença ainda este mês no SXSW em Austin, Texas, com três actuações agendadas para os dias 14, 16 e 17 de março.

Em abril vão apresentar este disco em território nacional com as seguintes datas a saber: Festival Ano Malfeito em Fafe a 4 de abril, B.Leza em Lisboa a 9 de Abril, Plano B no Porto a 10 de Abril e pelo Impulso nas Caldas da Rainha a 11 de abril.

Em maio, os Unsafe Space Garden seguem para o The Great Escape em Brighton, Reino Unido, nos dias 14 e 15 de maio, e fecham o mês nos Países Baixos com o Sniester (23 de maio) e o Over De Top (24 de maio). E claro, mais datas devem ser reveladas em breve.

Concertos de apresentação e agenda dos Unsafe Space Garden

  • 14, 16 e 17 de março – SXSW, Austin, Texas (EUA)
  • 4 de abril – Ano Malfeito, Fafe
  • 9 de abril – B.Leza, Lisboa (apresentação oficial)
  • 10 de abril – Plano B, Porto (apresentação oficial)
  • 11 de abril – Impulso, Caldas da Rainha
  • 14 e 15 de maio – The Great Escape, Brighton (Reino Unido)
  • 23 de maio – Sniester (Países Baixos)
  • 24 de maio – Over De Top (Países Baixos)

Unsafe Space Garden @ SXSW Austin, Texas
Unsafe Space Garden @ SXSW Austin, Texas

Sobre os Unsafe Space Garden

Os Unsafe Space Garden nasceram em 2019 em Guimarães. O sexteto formado por Nuno Duarte (voz e guitarra), Alexandra Saldanha (voz e sintetizadores), Filipe Louro, José Vale, Diogo Costa e João Cardita arrancou com o EP “Bubble Burst” nesse mesmo ano e não tirou o pé do acelerador. Seguiram-se os álbuns “Guilty Measures” (2020), “Bro, You Got Something In Your Eye – A Guided Meditation” (2021) e “WHERE’S THE GROUND?” (2023), cada um a puxar a corda para territórios mais distintos e mais seus. “O Melhor e o Pior da Música Biológica” dos Unsafe Space Garden é o quarto longa duração e o primeiro registo inteiramente em português.

Unsafe Space Garden
Unsafe Space Garden

Pelo caminho, Nuno Duarte e Alexandra Saldanha desenvolveram um trabalho criativo paralelo com comunidades locais e também de todo o país: ranchos folclóricos, fadistas, grupos de bombos e cavaquinhos. Esta convivência e partilha acabou por se infiltrar na linguagem da banda e que, neste disco, surge à superfície com uma naturalidade que só o tempo permite.

Um manual de sobrevivência com sentido de humor

Depois de “WHERE’S THE GROUND?” (2023) e de um percurso que já passou pelo NOS Primavera Sound, Tremor, Vodafone Paredes de Coura e MEO Kalorama, os Unsafe Space Garden entregam sem cerimónias e de sorriso rasgado um disco que soa a vida e a tudo o que ela tem de bom e de mau.

O título do álbum não engana. “O Melhor e o Pior da Música Biológica” assume logo à partida que a experiência de estar vivo é um vaivém entre a epifania e o tropeção, entre a euforia e o desconsolo, e que recusar qualquer um dos lados é mentir – o melhor é relaxar e disfrutar da viagem, com todos os seus altos, baixos, esquerdas e direitas.

“O Melhor e o Pior da Música Biológica” dos Unsafe Space Garden já está disponível em todas as plataformas digitais do costume e em vinil através da gig.ROCKS!. Não percas!

Instagram: @unsafespacegarden | Facebook: @unsafespacegarden

Queres ver mais notícias sobre música portuguesa? Carrega aqui! Se estás interessado em concertos ou festivais, dá uma vista de olhos no Calendário de Concertos e Festivais.

Pedro Ribeiro
Escrito por

Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é o fundador do musica.com.pt. Como músico e produtor conta com mais de 25 anos de experiência no mundo da música, tendo participado em projetos como Peeeedro, Moullinex, MAU, entre outros, e tocando em venues como Lux, Maus Hábitos, Plano B, Culturgest, Glasgow School of Arts, entre muitas outras salas e locais em Portugal e no estrangeiro. Compôs música para teatro (Jorge Fraga, Graeme Pulleyn, Teatro Viriato), dança contemporânea (Romulus Neagu, Peter Michael Dietz, Patrick Murys, Teatro Viriato), TV (RTP2) e várias rádios.

PUB