MALABOOS apresentam “333” e anunciam primeiro registo totalmente instrumental

Os MALABOOS acabam de lançar “333”, o single que serve de cartão de visita ao próximo EP “Sintétika”, previsto para 23 de fevereiro de 2026 pela Biruta Records. Esta nova faixa representa uma viragem significativa no percurso do power trio de Art Rock: pela primeira vez, optam por eliminar completamente a voz das suas composições, entregando-se a uma exploração puramente instrumental que promete redefinir a identidade sonora do grupo.

A realização do vídeo de “333” ficou a cargo de Inês Pinto, que traduziu em linguagem visual toda a força que “333” e os MALABOOS transmitem auditivamente. O resultado é uma peça audiovisual onde imagem e som funcionam como extensões naturais um do outro, sem hierarquias nem protagonismos exacerbados. A opção por este registo menos convencional sublinha a vontade dos MALABOOS de comunicarem através de camadas sonoras densas e atmosferas construídas nota a nota. Deixamos o vídeo para “333” dos MALABOOS em baixo.

MALABOOS:Trajetória consolidada e colaborações que contam histórias

Desde a formação em 2015, os MALABOOS têm sido muito mais do que uma banda paralela na vida dos seus três elementos. Diogo Silva, responsável pela guitarra e voz (nos registos anteriores), desdobra-se entre múltiplas funções no panorama musical português: dirige musicalmente e toca baixo e guitarra para os Papillon, produz e compõe para nomes como LON3R JOHNY, Chong Kwong, Matshi e Madman. Esta versatilidade reflete-se na capacidade que o trio tem para navegar entre diferentes registos sem perder coerência.

Ivo Correia senta-se à bateria e opera sintetizadores com a mesma naturalidade com que marca o ritmo nos Indignu, coletivo que ajudou a moldar o som do pós-rock em Portugal. A sua abordagem técnica, aliada a uma sensibilidade rara para construir climas tensos e libertadores, torna-se essencial na arquitetura dos MALABOOS.

Rui Jorge completa o trio no baixo, trazendo consigo a experiência acumulada nos Bed Legs, banda que conquistou o seu espaço no circuito alternativo nacional através de propostas sonoras fora dos caminhos mais batidos. Esta cumplicidade entre três músicos que vivem a música de formas tão distintas no quotidiano transforma cada sessão de estúdio ou ensaio numa espécie de laboratório criativo sem restrições.

MALABOOS. Créditos Fotografia: Rodrigo Fernandes
MALABOOS. Créditos Fotografia: Rodrigo Fernandes

Ao longo de dez anos de atividade, os MALABOOS acumularam presenças em festivais que ajudam a mapear o circuito alternativo português: Ecos do Lima, Soundville, Madeira Art Fest, Festival Termómetro, Capote Fest, Absurda Fest, Park Festival, Sons de Vez, Festival de Jazz de Viseu e Guimarães Noc Noc. Cada concerto funcionou como teste e aperfeiçoamento da linguagem cénica que hoje caracteriza o grupo, sempre equilibrando energia bruta com momentos contemplativos.

MALABOOS, capa do Single "333". Créditos capa e artwork: Inês Pinto.
MALABOOS, capa do Single “333”. Créditos capa e artwork: Inês Pinto.

Do caos controlado à imersão total

Antes de “Sintétika”, os MALABOOS editaram dois EPs, “Plântula” e “Matuta”, que funcionaram como estudos preparatórios para o que viria a ser “Nada Cénico”, álbum lançado em 2021. Nesse disco, a banda desenhou uma cartografia emocional onde momentos de serenidade convivem com explosões de ruído, riffs luminosos chocam contra batidas pesadas, e as mudanças abruptas de andamento surgem como pontos de viragem narrativos. Não há linearidade previsível; há antes uma espécie de diálogo interno entre calma e fúria que obriga quem ouve a permanecer atento.

A dimensão ao vivo dos MALABOOS nunca foi secundária. Pelo contrário: é em palco que o trio consegue materializar plenamente as tensões e libertações que compõem o seu universo sonoro. Os concertos funcionam como experiências imersivas onde a componente visual ganha peso equivalente à música, criando ambientes que envolvem o público numa narrativa sensorial completa. Fica o vídeo de “Quebra” em baixo.

“Sintétika”: território novo sem abdicar da essência

Com “333” a abrir portas, “Sintétika” surge como manifesto dessa vontade de expandir fronteiras mantendo intacta a autenticidade que sempre definiu os MALABOOS. A decisão de avançar para um registo exclusivamente instrumental não é ruptura; é consequência natural de um processo criativo que sempre privilegiou atmosferas densas e texturas complexas. Retirar a voz significa ampliar o espaço para que os instrumentos dialoguem de forma ainda mais direta e enérgica, sem mediações nem explicações verbais. Ficamos extremamente curiosos com o que aí vem.

Passada uma década desde a formação, o trio continua a procurar caminhos próprios, recusando fórmulas prontas ou reproduções do que já funcionou antes. Esta inquietação permanente é talvez o maior trunfo dos MALABOOS: a capacidade de se reinventarem sem forçar mudanças artificiais, deixando que cada novo trabalho nasça organicamente do momento criativo que atravessam.

“333” já se encontra disponível em todas as plataformas digitais, abrindo caminho para aquilo que promete ser um dos lançamentos mais aguardados do próximo ano no panorama alternativo nacional. Recomendamos!

Instagram: @malaboosmalaboos

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Pedro Ribeiro
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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é o fundador do musica.com.pt. Como músico e produtor conta com mais de 25 anos de experiência no mundo da música, tendo participado em projetos como Peeeedro, Moullinex, MAU, entre outros, e tocando em venues como Lux, Maus Hábitos, Plano B, Culturgest, Glasgow School of Arts, entre muitas outras salas e locais em Portugal e no estrangeiro. Compôs música para teatro (Jorge Fraga, Graeme Pulleyn, Teatro Viriato), dança contemporânea (Romulus Neagu, Peter Michael Dietz, Patrick Murys, Teatro Viriato), TV (RTP2) e várias rádios.