Gisela Mabel é pianista, compositora e produtora luso-angolana, nascida no Algarve e atualmente baseada em Lisboa. A sua música percorre geografias interiores e exteriores, fundindo a formação clássica e jazzística com influências africanas e brasileiras, numa sonoridade própria e em constante descoberta – entre Angola, Portugal e o Brasil, o piano de Gisela conta e ecoa histórias. O resultado é uma linguagem emocional e rítmica, onde o piano se transforma num espelho íntimo, capaz de traduzir memórias e afetos em som.
A artista tornou-se recentemente a primeira portuguesa a integrar a compilação oficial do Piano Day com a peça original “Translucent”. Este reconhecimento internacional, promovido pelo prestigiado compositor Nils Frahm, coloca Gisela Mabel ao lado de nomes como Yann Tiersen e Ólafur Arnalds, numa celebração global do piano contemporâneo.

“Álbum de Retratos”: estreia emotiva e orgânica
Foi no palco do Ageas Cool Jazz, em 2024, que Gisela Mabel se apresentou pela primeira vez como artista independente. Nesse concerto deu a conhecer o seu EP de estreia, Álbum de Retratos — uma obra profundamente pessoal, composta por peças que evocam, à maneira de fotografias sonoras, memórias, sentimentos, culturas e relações.

Este ano Gisela lançou uma live session inédita, gravada no icónico Chez Georges, no coração do Rio de Janeiro. Com acústica natural privilegiada, esta colaboração com o Salve Salve Studio, assume um carácter intimista, onde o som ambiente — o vento, o respirar da artista, os pássaros — faz parte da composição. A produção esteve a cargo de Renato Godoy, engenheiro de som brasileiro que trabalhou com nomes como Jorge Ben Jor e Gilberto Gil. O resultado é uma experiência sensorial envolvente, onde o rigor técnico se alia à vulnerabilidade emocional.
Um piano sem rótulo, mas com alma
Gisela Mabel não se encaixa num único género. A sua música escapa às etiquetas fáceis: não é jazz, nem clássica, nem puramente contemporânea; não é apenas portuguesa, nem apenas afro-brasileira. É tudo isso, e mais — uma síntese de vivências e heranças, do conservatório ao improviso, da disciplina à liberdade, da teoria ao sentimento.
O piano, nas mãos de Gisela, é extensão do corpo e da memória. Em Álbum de Retratos, cada faixa é uma tentativa de nomear o invisível. A dualidade entre paz e angústia, serenidade e intensidade, está presente em cada nota, em cada silêncio. É uma música que escuta o mundo antes de o interpretar.
Gisela Mabel, um futuro promissor
Pianistas com técnica há muitos, mas poucos conseguem tocar o invisível com tanta precisão. Gisela Mabel é uma dessas artistas raras, e tudo indica que o seu percurso será tão inesperado quanto inspirador. Em vez de procurar respostas definitivas, Gisela oferece perguntas em forma de som — e é nessa entrega honesta que reside a força da sua música.
“Sinto-me mais segura ao piano do que a verbalizar emoções”, confessa. É nessa entrega silenciosa, nesse falar com as mãos, que a sua arte ganha voz. Há muito a contar, e o mundo começa agora a escutá-la.
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