Garajau lançam “Funcionário do Mês”: o hino para quem já se fartou de picar o ponto

Os Garajau têm novo single. “Funcionário do Mês” chegou às plataformas digitais e atira-se de cabeça ao retrato de uma geração que pica o ponto, responde a emails que nunca pediu, e sonha com o dia em que vai mandar tudo ao ar.

A banda portuense, que nasceu em plena pandemia e se tem vindo a afirmar no cruzamento entre indie-rock e pop alternativo cantado em português, usa a ironia e boa disposição como bisturi para dissecar o vazio do reconhecimento laboral num mercado que recompensa pouco e exige muito. Podes ver o vídeo de “Funcionário do Mês” em baixo.

O som que contraria o cinzento

O título engana. Não há aqui medalha nem troféu, apenas o retrato de quem veste a farda todos os dias, entra à hora certa mas nunca sai quando devia, e se agarra a um estatuto que “fica bem no currículo” mas não paga a renda nem alimenta a alma.

André Pires Costa e Tiago Luz escreveram a canção a partir do que viram à volta: amigos a mudar de emprego, a recomeçar do zero, a abandonar rotinas que deixaram de fazer sentido. Transformaram essa inquietação num retrato colectivo que vai ressoar com qualquer pessoa que já tenha olhado para o relógio às 17h58 e percebido que ainda faltam horas para sair do trabalho.

Em “Funcionário do Mês”, a música não acompanha o peso do tema. Onde a letra fala de frustração e rotina, o som abre para guitarras luminosas, groove marcado e uma energia que nos mete a bater o pé sem pedir licença. Os Garajau encontram nesse contraste o equilíbrio certo entre melancolia e optimismo, entre o desabafo, ironia e a festa. É uma canção que reconhece o cansaço mas recusa afundar-se nele.

A produção foi assinada por Leonardo Pinto no Estúdio Eléctrico, no Porto, e a masterização ficou nas mãos de Mário Barreiros, nome incontornável da engenharia de som em Portugal, e nota-se: o tema soa cheio, presente, pronto para rádio e para palco. O lançamento não foi acidental: chega nas vésperas da chamada “Blue Monday”, esse suposto dia mais deprimente do ano, como uma espécie de antídoto sonoro para janeiro.

Garajau, capa do single "Funcionário do Mês"
Garajau, capa do single “Funcionário do Mês”

Ficha técnica

Letra e música: André Pires Costa e Tiago Luz
Produção e mistura: Leonardo Pinto
Masterização: Mário Barreiros
Gravação: Estúdio Eléctrico, Porto

Os Garajau e o percurso até aqui

A banda nasceu em 2020, quando André Pires Costa e Tiago Luz começaram a compor através de videochamadas, separados pela pandemia mas unidos pela vontade de fazer música. O nome vem da ave marinha comum em Portugal, e assenta que nem uma luva: o garajau é resiliente, adapta-se, sobrevive. A banda também.

O álbum de estreia, “O Amor não se Abrevia” (2023), consolidou uma identidade que mistura indie-rock com toques de pop sofisticado, letras em português e arranjos trabalhados. O single homónimo chegou ao Top 3 do A3.30 na Antena 3. Com “Sal & Lima” (2024), os Garajau começaram a explorar territórios mais vibrantes, com elementos de disco e pop moderno. “Funcionário do Mês” segue nessa direcção, mantendo a ligação à canção pop mas com uma energia mais dançável. A canção já integrava o alinhamento dos concertos da banda e tem tido boa resposta do público. A passagem para estúdio confirma o que os palcos já tinham validado.

“Funcionário do Mês” não é um hino de revolta nem um manifesto geracional, mas funciona como espelho. Os Garajau olham para o quotidiano laboral com a dose certa de ironia e afecto, reconhecendo a frustração sem se deixar engolir por ela. É pop alternativo que sabe exactamente o que quer dizer, e que o faz com uma melodia que vai ficar na cabeça muito depois de saires do trabalho.

O single já está disponível em todas as plataformas digitais, não percas!

Instagram: @garajau.music | Facebook: @garajau.music

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Pedro Ribeiro
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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é o fundador do musica.com.pt. Como músico e produtor conta com mais de 25 anos de experiência no mundo da música, tendo participado em projetos como Peeeedro, Moullinex, MAU, entre outros, e tocando em venues como Lux, Maus Hábitos, Plano B, Culturgest, Glasgow School of Arts, entre muitas outras salas e locais em Portugal e no estrangeiro. Compôs música para teatro (Jorge Fraga, Graeme Pulleyn, Teatro Viriato), dança contemporânea (Romulus Neagu, Peter Michael Dietz, Patrick Murys, Teatro Viriato), TV (RTP2) e várias rádios.