Bela Noia lançam “A Bela Paranoia”: o segundo álbum já está na rua

A banda de Viseu Bela Noia editou na passada sexta-feira, 27 de março, “A Bela Paranoia”, o segundo álbum do quarteto formado por Pedro Vieira (voz e guitarra), Leonardo Outeiro (guitarra), Gonçalo Alegre (baixo) e Miguel Rodrigues (bateria e percussão).

O disco sucede a “Os Miúdos Estão Bem” (2023) e chega depois de dois anos de trabalho, três singles de avanço e uma curta-metragem que acompanhou todo o ciclo de lançamento. Produzido integralmente pela Bela Noia, com mistura e masterização de Nuxo Espinheira, “A Bela Paranoia” conta com a participação do músico Edgar Valente e incorpora pela primeira vez um quarteto de cordas com arranjos assinados por Leonardo Outeiro.

O álbum de Bela Noia já está disponível nas plataformas digitais e podes ver em baixo o videoclipe de “À Guerra, Não Há Paz”, o último single a ser revelado.

Por dentro de “A Bela Paranoia”

O álbum “A Bela Paranoia” dos Bela Noia percorre uma cartografia emocional feito das mais variadas relações humanas, com frontalidade e sem soluções fáceis, algo que Pedro Vieira resume de forma directa.

“A Bela Paranoia nasce da tentativa de transformar inquietação em canções. É um disco sobre as pequenas guerras emocionais que atravessam as relações e sobre a dificuldade, às vezes inevitável, de encontrar paz dentro delas.” afirma Pedro

O caminho até ao álbum foi pensado com cuidado. “Não Quero Mais”, lançado em outubro de 2025, abriu o ciclo com uma declaração de intenções crua e directa. Seguiu-se o single duplo “Meu amor quando eu morrer” / “Epitáfio (lembrança de um final)” em fevereiro, e o terceiro e último avanço, “À Guerra, Não Há Paz”, chegou já em março, um dia antes do concerto de estreia de “A Bela Paranoia” e fecha o arco narrativo dos singles com a metáfora da “guerra fria emocional”.

Pedro descreve o tema como “aquele momento em que duas pessoas que já estiveram muito próximas passam a viver numa espécie de guerra fria emocional, onde há muito por dizer mas já não se sabe como.”

Bela Noia, capa do álbum "A Bela Paranoia". Créditos capa: Pedro Vieira
Bela Noia, capa do álbum “A Bela Paranoia”. Créditos capa: Pedro Vieira

O rock que os Bela Noia praticam aqui oscila entre o alternativo, o clássico e o pop sem pedir autorização a nenhum dos campos, e o resultado tem um pulso rítmico que atravessa as faixas todas com uma energia que demonstra o rápido crescimento e maturidade da banda formada em 2023. A produção acerta no tom: limpa o suficiente para se perceber cada instrumento, crua o suficiente para não soar a consultório.

O quarteto de cordas é, talvez, a maior surpresa. Quem esperava camadas decorativas ou violinos de enfeite vai encontrar outra coisa. Se tens curiosidade, salta logo para a faixa “O fim quando menos se esperava” e logo percebes porquê. As cordas têm peso real nos arranjos e funcionam como motor emocional em faixas como “Meu amor quando eu morrer”, adensando os momentos de tensão com uma força que rivaliza com as guitarras.

“Este foi o primeiro disco que compusemos verdadeiramente como um coletivo. Levou tempo, mas sentimos que isso permitiu aprofundar as canções e encontrar uma identidade sonora mais clara”, explica Pedro Vieira.

“Ainda te canto (são só palavras)”, “Ninguém quer saber de nós” e “À guerra, não há paz” são três dos nossos momentos preferidos deste registo dos Bela Noia, para além dos temas mencionados anteriormente, e onde o trabalho do quarteto se funde com o rock da banda de forma particularmente eficaz e transformadora.

Cada single trouxe consigo um capítulo da curta-metragem “A Bela Paranoia”, conceptualizada e realizada por Pedro Vieira e Leonardo Outeiro, filmada em Viseu pela produtora Toca do Lobo com direcção de fotografia de Tiago “Ramon” Santos. A parceria com Nuxo Espinheira, que já tinha misturado o primeiro disco, continua neste registo na mistura e masterização.

Alinhamento de “A Bela Paranoia”

  1. Epitáfio (lembranças de um final)
  2. Meu amor quando eu morrer
  3. Não quero mais
  4. Ainda te canto (são só palavras)
  5. À guerra, não há paz
  6. O fim quando menos se esperava
  7. Antes só que fantasma
  8. Ninguém quer saber de nós

Bela Noia. Créditos Fotografia: Leonardo Patrício
Bela Noia. Créditos Fotografia: Leonardo Patrício

Bela Noia: De Viseu para o país inteiro

A Bela Noia surgiu em 2023 quando Pedro Vieira juntou à sua volta três músicos para dar corpo a composições que precisavam de uma banda. “Os Miúdos Estão Bem”, gravado nos Estúdios da Paz em Viseu, foi o pontapé de saída, e os concertos pelo país trataram de solidificar a reputação ao vivo do grupo. Antes de entrar no segundo ciclo, a banda despediu-se oficialmente do repertório de estreia com um concerto na ACERT, em Tondela, em outubro de 2025.

O álbum “A Bela Paranoia” foi apresentado ao vivo pela primeira vez no dia do lançamento, 27 de março, no Carmo’81 em Viseu. A próxima data confirmada é 10 de abril no Tokyo, em Lisboa.

Para concluir

“A Bela Paranoia” dos Bela Noia é o tipo de segundo álbum que não anda a pedir desculpa pelo primeiro – reconhece a sua existência e segue em frente. É mais denso, mais arriscado e produzido com uma maturidade que dois anos de muito trabalho colectivo trataram de sedimentar. E as canções, essas, têm a honestidade de quem não está preocupado em agradar a toda a gente, apenas a ser elas próprias. O álbum já está disponível em todas as plataformas digitais e merece todo o vosso volume. Não percas!

Instagram: @bela.noia | Facebook: @BelaNoiaaaaa

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Pedro Ribeiro
Escrito por

Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é o fundador do musica.com.pt. Como músico e produtor conta com mais de 25 anos de experiência no mundo da música, tendo participado em projetos como Peeeedro, Moullinex, MAU, entre outros, e tocando em venues como Lux, Maus Hábitos, Plano B, Culturgest, Glasgow School of Arts, entre muitas outras salas e locais em Portugal e no estrangeiro. Compôs música para teatro (Jorge Fraga, Graeme Pulleyn, Teatro Viriato), dança contemporânea (Romulus Neagu, Peter Michael Dietz, Patrick Murys, Teatro Viriato), TV (RTP2) e várias rádios.

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