Dealema lançam “96 ao Infinito”, o novo álbum que chega treze anos depois

Os Dealema lançam “96 ao Infinito”, o novo álbum de originais que chega treze anos depois de “Alvorada da Alma” e a escassos dias do já esgotado concerto de celebração dos 30 anos de carreira, marcado para 20 de fevereiro de 2026 no Coliseu do Porto.

Trinta anos depois de “O Expresso do Submundo” ter inaugurado um capítulo na história do rap em Portugal, os Dealema regressam com um trabalho que recusa o rótulo de retorno. “96 ao Infinito” é a continuação natural de tudo o que Dealema é e representa. Quem acompanhou os três singles de avanço – “Doutros Tempos”, “O Sangue” e “O Teu Momento” – já tinha percebido que a chama não se tinha apagado. O álbum confirma-o sem margem para dúvidas.

São dez faixas onde Expeão, Fuse, Maze, Mundo Segundo e DJ Guze voltam a juntar-se em estúdio com a urgência de quem nunca parou de escrever, mas esperou pelo momento certo para o fazer. Como referiu Expeão na entrevista que fizemos em Maio de 2025 a propósito do lançamento de “Doutros Tempos“, “Se forçássemos, não ia sair aquilo que está a sair agora. Precisávamos de viver outras experiências de vida para voltar na altura certa com a mesma essência.”.

Fica o vídeo de “O Teu Momento”, com a participação de Bezegol, em baixo:

Dealema regressam com “96 ao Infinito”: dez faixas, cinco vozes, uma só direcção

Maze não tem dúvidas sobre o que é “96 ao Infinito”: “É um regresso às raízes, sempre com a nossa identidade crua, dura, mas é um disco de celebração também. São 30 anos, é um olhar para o passado e celebrar esse caminho, olhar para o momento presente, e apontar para o futuro que na intemporalidade da nossa música aponta ao infinito.” .

E é precisamente essa tensão entre passado, presente e futuro que alimenta o álbum desde a primeira faixa. Cada membro dos Dealema manteve o seu percurso a solo bem activo nos treze anos que separam este álbum do anterior, e esse crescimento individual derrama-se nas letras e nos flows.

Maze garante que o entusiasmo é “o mesmo que tínhamos no Expresso do Submundo há 30 anos atrás” – e quando se ouve o resultado, não há qualquer razão para duvidar. Não estamos perante o mesmo grupo de 1996, embora estejamos perante o mesmo grupo de 1996. Com mais horas de estrada, mais cicatrizes e mais coisas para dizer, o espírito e sonoridade são imediatamente reconhecíveis, e sempre a soar a Dealema.

Dealema, capa do álbum "96 ao Infinito"
Dealema, capa do álbum “96 ao Infinito”

A produção percorre um terreno amplo. Há beats que olham para trás sem ficarem presos ao passado, e há momentos em que o som respira uma modernidade que os Dealema nunca tiveram receio de abraçar. A produção de Menfis, que já tinha assinado os singles de avanço, consegue algo difícil: capturar aquela energia dos primeiros discos do grupo, mas vestida com outra roupa.

As letras mantêm a marca de água do colectivo – camadas sobre camadas, versos que pedem segundas e terceiras interpretações e escutas, com uma exigência lírica que não faz concessões ao imediato.

De “Doutros Tempos” a “O Teu Momento”: os singles que anteciparam o álbum dos Dealema

O caminho até “96 ao Infinito” começou a ser trilhado em março de 2025 com “Doutros Tempos”, um tema que, como Mundo Segundo nos explicou na entrevista que fizemos aos Dealema, nasceu de forma espontânea – cada membro escreveu o seu verso sem combinar temas, e quando se juntaram, tudo encaixou na perfeição.

Seguiu-se “O Sangue”, lançado simbolicamente a 10 de junho, Dia de Portugal, com videoclip filmado na histórica Livraria Moreira da Costa, no Porto. “O Teu Momento” completou o trio de avanços. Três singles que funcionaram como declaração de intenções e prepararam o terreno para o que agora se materializa em disco completo.

Convidados de peso no novo álbum dos Dealema

Os cinco convidados de “96 ao Infinito” dividem-se em dois campos, e a distinção importa. De um lado, Ace e Manel Cruz, companheiros de longa data com quem os Dealema já tinham cruzado caminhos. A presença de Manel Cruz reforça o diálogo entre rap e rock alternativo que o Porto sempre soube cultivar melhor do que qualquer outra cidade do país.

Do outro lado, Bezegol, David Cruz e Zacky Man são colaborações que o grupo queria há muito tempo e que só agora se concretizaram. Como Maze explica, “queríamos muito colaborar com eles e ainda não tinha sido possível, e desta feita conseguimos”. Não são presenças decorativas, mas encontros que estavam escritos e destinados, à espera do disco certo.

Alinhamento de “96 ao Infinito” dos Dealema

  1. De Luz Maior
  2. O Sangue
  3. A Mensagem
  4. O Teu Momento feat Bezegol
  5. Língua Afiada
  6. Doutros Tempos
  7. Beijos e Balas feat Manel Cruz
  8. Guerreiros Indomáveis feat Zacky Man
  9. Hip Hop feat Ace
  10. 96 ao Infinito feat David Cruz

Concerto dos 30 anos dos Dealema no Coliseu do Porto

O lançamento de “96 ao Infinito” acontece em contagem decrescente para um dos momentos mais aguardados do calendário musical português em 2026. No dia 20 de fevereiro (já esta sexta feira), os Dealema sobem ao palco do Coliseu Porto Ageas para celebrar três décadas de carreira. Os bilhetes (in)felizmente já se encontram esgotados, pelo que resta-nos aguardar por se irão haver possíveis datas adicionais para dar continuidade a esta celebração e festa de lançamento.

Dealema, créditos fotografia: André Henriques
Dealema, créditos fotografia: André Henriques

Quem conhece os Dealema ao vivo sabe que a espontaneidade é parte do ADN do grupo. Como Expeão nos contou na nossa entrevista, a banda é conhecida por não ensaiar no sentido formal da palavra – a química entre os cinco elementos do pentágono dispensa guiões rígidos. Mas para o Coliseu, há convidados escolhidos a dedo, um reforço audiovisual que promete elevar a experiência e várias surpresas.

“96 ao Infinito”: memória, palavra e futuro dos Dealema

Os Dealema sempre foram mais do que um grupo de rap. Foram escola, foram trincheira, foram a prova de que se podia fazer hip hop em português com profundidade literária, com consciência política, com peso poético que não pedia (e pede) licença a ninguém. Trinta anos depois do primeiro disco, continuam independentes por convicção, underground por natureza, e com a caneta tão afiada como sempre.

“96 ao Infinito” é a prova de que os cinco sabem exactamente quando devem juntar-se e porquê. Treze anos de silêncio colectivo não foram em vão – foram tempo de maturação, de vidas vividas separadamente que agora convergem num disco que sabe a reencontro sem saudosismo. Com o Coliseu do Porto à porta, o timing é perfeito. A saga, como eles próprios dizem, continua rumo ao infinito. E nós continuamos a ouvir.

O álbum “96 ao Infinito” dos Dealema já está disponível em todas as plataformas digitais do costume. A partir de 21 de fevereiro pode ser encomendado em formato físico em dealema.pt. Não percas!

Instagram: @dealema96 | Facebook: /Dealema

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Pedro Ribeiro
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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é o fundador do musica.com.pt. Como músico e produtor conta com mais de 25 anos de experiência no mundo da música, tendo participado em projetos como Peeeedro, Moullinex, MAU, entre outros, e tocando em venues como Lux, Maus Hábitos, Plano B, Culturgest, Glasgow School of Arts, entre muitas outras salas e locais em Portugal e no estrangeiro. Compôs música para teatro (Jorge Fraga, Graeme Pulleyn, Teatro Viriato), dança contemporânea (Romulus Neagu, Peter Michael Dietz, Patrick Murys, Teatro Viriato), TV (RTP2) e várias rádios.

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