Catarina Branco lança “Onde eu me escondo”, o primeiro avanço do seu segundo álbum de originais, “Acordava Cansada”. O single chega às plataformas digitais no dia em que a cantautora completa 30 anos e vem acompanhado de um videoclipe realizado por Leonard Collette. O álbum, produzido pela própria Catarina Branco, tem edição marcada para 10 de abril e sucede a “Vida Plena” (2022).
Podes ver e ouvir “Onde eu me escondo” de Catarina Branco em baixo.
Catarina Branco e a arte de desaparecer à vista de todos
A canção abre com a confissão: “Às vezes eu sou um fantasma noutro corpo / E acabo por ficar calada“. A voz de Catarina Branco move-se entre registos com uma calma estranha, ora subindo, ora descendo a graves, sem pressa nem dramatismo, como quem desce escadas no escuro e conhece cada degrau. Há algo no fundo da mistura que evoca os primeiros Sigur Rós, uma presença etérea e envolvente que paira sobre a canção enquanto uma batida entra, marca o tempo e nos embala, quase como um metrónomo afectivo das horas a passar.
A letra constrói-se no concreto e no quotidiano sem metáforas grandiosas: há um formigueiro a subir pelo corpo, uma planta com sede, o jantar que é sempre preciso fazer, horas intermináveis. O refrão repete-se como um um pedido de socorro entoado para dentro: “Eu só quero alguém descubra onde eu me escondo“. É música feita das pequenas coisas que doem baixinho, insignificantes uma a uma, mas que juntas pesam uma tonelada.

O videoclipe: velas, água e uma personagem sem cor
O vídeo de “Onde eu me escondo” foi filmado em plano-sequência por Leonard Collette, com direcção de arte de Catarina Branco, Leonard Collette e Catarina Barragon. Catarina Branco surge pintada de branco, olhos e boca a negro, uma espécie de mimo num cenário escuro marcado pela presença de várias velas. Na mão, um borrifador de água. A imagem é deliberadamente teatral e estranha: a artista borrifando velas, ameaçando apagar a pouca luz que existe, num gesto que dialoga com a letra e com a ideia de alguém que se esconde e ao mesmo tempo quer ser encontrada.
A direcção de actores ficou a cargo de Marta de Carvalho, com produção de Catarina Barragon e assistência de Mafalda Jacinto. O conceito foi desenvolvido entre Catarina Branco, Marta de Carvalho e Leonard Collette.
Créditos de “Onde eu me escondo” de Catarina Branco
Catarina Branco toca a maioria dos instrumentos, com Sara Gonçalves na bateria, Catarina Valadas na flauta e Mariana Camacho nos coros. A flauta aparece como sopro discreto que vai acompanhando o tema, um traço de cor num quadro quase monocromático. A produção e mistura são da própria artista, masterização de Pedro Joaquim Borges.
Videoclipe: Leonard Collette (realização, fotografia, edição, conceito e direcção de arte), Catarina Branco (conceito, interpretação e direcção de arte), Marta de Carvalho (conceito e direcção de actores), Catarina Barragon (direcção de arte e produção), Mafalda Jacinto (assistência)
Datas a não perder
Catarina Branco tem dois momentos agendados para a apresentação de “Acordava Cansada”: uma listening party na Casa da Mully, em Lisboa, a 9 de abril, e o concerto de apresentação na Bota Anjos, também em Lisboa, a 2 de maio. O álbum chega às plataformas a 10 de abril.
- 9 de abril: Listening party na Casa da Mully
- 2 de maio: Concerto de apresentação, BOTA

Do Oeste para o preto e branco: a identidade de Catarina Branco
A zona fluvial do Oeste, onde Catarina Branco cresceu, é um lugar tão capaz de ser agreste quanto prazeroso, quase nunca nas doses desejadas. Essa geografia parece ter-se infiltrado na música e na imagem, onde a pintura de palhaça a preto e branco, sem o vermelho habitual, é a marca visual deste registo: um gótico náutico que desbota para a música, como nos conta a release oficial.
Depois dos conjuntos de canções mais soalheiros que a antecederam, como “‘Tá Sol” e “Vida Plena”, o novo capítulo aprofunda uma atmosfera densa e neblinosa. As canções nasceram no preto e branco do piano e ganharam corpo no dramatismo e na melancolia que a maquilhagem invoca. Os EPs “Não Me Peças Mais Canções” (2024) e “3 Canções” (2025) já apontavam nesta direcção, “Onde eu me escondo” parece ser o prelúdio para o mergulho completo.
Parabéns e o acordar cansada aos 30
Catarina Branco lança uma canção sobre a invisibilidade no dia em que faz 30 anos. Pinta-se de palhaça sem cor, produz tudo sozinha, e faz de um borrifador de água o protagonista de um videoclipe. “Onde eu me escondo” não é um gesto inocente e funciona como declaração de intenções para “Acordava Cansada”: um disco que troca o sol dos trabalhos anteriores por nevoeiro cerrado, e que se anuncia como o mais pessoal e sombrio do seu percurso.
A canção já se encontra disponível nas plataformas do costume, e até lá, ficamos com este tema a fazer-nos companhia nos dias de céu cinzento. Não percas!
Instagram: @catarinabranc0
Queres ver mais notícias sobre música portuguesa? Carrega aqui! Se estás interessado em concertos ou festivais, dá uma vista de olhos no Calendário de Concertos e Festivais.
