Bela Noia regressa com “Não Quero Mais” e anuncia disco para 2026

A banda de Viseu Bela Noia apresenta o primeiro single de um novo ciclo criativo que promete ser mais intenso e maduro. O tema “Não Quero Mais” integra uma curta-metragem dividida em três capítulos.

“Não Quero Mais” chega como quem fecha uma porta e abre outra. A Bela Noia escolheu este tema para anunciar o regresso aos estúdios e marcar território numa fase distinta do projeto. Depois de “Os Miúdos Estão Bem” ter cumprido o ciclo de estreia em 2023, este single funciona como declaração de intenções: há evolução, mas a essência e força criativa mantém-se intacta. Podes ver o vídeo de “Não Quero Mais” dos Bela Noia em baixo.

O som de uma rutura necessária

A composição de “Não Quero Mais” mistura guitarras que cortam sem aviso prévio e com uma estrutura melódica que não pede licença para entrar.

Pedro Vieira, vocalista, explica o ponto de partida: “É uma canção sobre prometer mudar, sobre estar farto dos excessos e procurar um novo caminho. Queríamos um som cru, direto, que refletisse esse sentimento, mas sem perder a esperança.

O resultado afasta-se da nostalgia calculada e aproxima-se de algo mais visceral, mas sem chegar a extremos. Há raiva controlada nas cordas, há cansaço na voz, mas também a vontade de virar a página e desfrutar o dia, só e apenas. A produção não esconde as arestas, pelo contrário, expõe-nas como parte fundamental da narrativa – tanto auditiva como visual. “Não Quero Mais” é um statement ao inconformismo, ao quebrar com os padrões e frustrações normais da uma vida quotidiana.

Bela Noia, capa do single "Não Quero Mais"
Bela Noia, capa do single “Não Quero Mais”

Três singles, uma história visual

O que distingue este lançamento vai além da música. “Não Quero Mais” é o primeiro capítulo de uma curta-metragem que será construída a partir dos três primeiros singles do álbum previsto para 2026. A ideia nasceu da colaboração entre Pedro Vieira e Leonardo Outeiro, com realização partilhada e direção de fotografia de Tiago “Ramon” Santos, filmada pela produtora Toca do Lobo.

A aposta numa narrativa visual contínua revela ambição e maturidade. Em vez de videoclips isolados, a banda propõe um fio condutor que amarra as canções num contexto mais amplo. É uma abordagem que exige planeamento e visão de conjunto, características conceptuais que nem sempre abundam nas bandas emergentes. É uma narrativa que nos apresenta as personagens, e nos mostra a sua história – e ficamos curiosos com o que vem aí a seguir.

Este formato permite explorar camadas de significado que a música sozinha não conseguiria transmitir. Cada single funcionará como peça de um puzzle maior, onde as imagens irão completar aquilo que as letras sugerem.

Despedida antes do recomeço

Antes de mergulhar de cabeça no novo disco, os Bela Noia decidiram fechar o capítulo anterior com um concerto na ACERT, em Tondela, marcado para 24 de outubro. O espetáculo assume-se como despedida oficial do repertório de “Os Miúdos Estão Bem”, numa celebração que também funciona como ponto de viragem.

Tocar pela última vez o material de estreia tem peso simbólico. Marca o fim de um período de aprendizagem e apresentação ao público, mas também o início de outra etapa onde a banda já não precisa de se justificar. As canções desse disco, “Para Quê Voltar”, “Paranóia”, “Canção da Lua”, entre outras, cumpriram a missão de apresentar os Bela Noia ao país.

Bela Noia, cartaz do Concerto na Acert em Tondela, dia 24 às 22h.
Bela Noia, cartaz do Concerto na Acert em Tondela, dia 24 às 22h.

Bela Noia: Uma banda que cresceu em palco

Desde a fundação, os Bela Noia assumiram-se como projeto coletivo. Pedro Vieira tinha composições guardadas e precisava de músicos que lhes dessem corpo. Juntou-se a Gonçalo Alegre (baixo), Miguel Rodrigues (bateria) e Leonardo Outeiro (guitarra), formando uma estrutura que rapidamente ganhou identidade própria.

O disco de estreia serviu de rampa de lançamento para uma tour que levou a banda de Viseu para palcos por todo o país. As apresentações ao vivo solidificaram a reputação do grupo: energia direta, sem artifícios desnecessários. O rock que fazem não disfarça influências, bebe do clássico, passa pelo alternativo dos anos 90, mas nunca soa a cópia.

Bela Noia. Crédito fotografia: Bela Noia
Bela Noia. Crédito fotografia: Bela Noia

O que esperar do próximo álbum

Com “Não Quero Mais” a abrir portas, fica a curiosidade sobre o caminho que a banda vai trilhar até à edição de 2026. Se este single serve de indicação, há vontade de explorar territórios mais alargados sem abandonar a honestidade que sempre caracterizou o projeto.

Neste tema, a combinação de rock bem feito, simples mas com energia e potencial para grandes momentos ao vivo sugere um álbum menos linear que o anterior. Há espaço para experimentação, mas também para refrões que ficam colados à cabeça. Os Bela Noia parecem ter encontrado o equilíbrio entre ambição criativa e acessibilidade.

O cronograma de lançamento dos próximos dois singles será determinante para perceber a direção completa. Se a curta-metragem funcionar como promete, a banda terá nas mãos uma ferramenta poderosa de promoção e expressão artística.

“Não Quero Mais” já está disponível nas plataformas digitais do costume. O concerto na ACERT acontece a 24 de outubro, pelas 22h – não percas!

Instagram: @bela.noia | Facebook: @BelaNoiaaaaa

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Pedro Ribeiro
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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro é o fundador do musica.com.pt. Como músico e produtor conta com mais de 25 anos de experiência no mundo da música, tendo participado em projetos como Peeeedro, Moullinex, MAU, entre outros, e tocando em venues como Lux, Maus Hábitos, Plano B, Culturgest, Glasgow School of Arts, entre muitas outras salas e locais em Portugal e no estrangeiro. Compôs música para teatro (Jorge Fraga, Graeme Pulleyn, Teatro Viriato), dança contemporânea (Romulus Neagu, Peter Michael Dietz, Patrick Murys, Teatro Viriato), TV (RTP2) e várias rádios.