Introdução
Cinco artigos nossos foram adulterados e publicados pelo site portab.pt, com títulos idênticos e imagens que ainda ligam diretamente ao nosso servidor. Bem-vindos à era do erro e da lavagem de conteúdo!
Actualização 02/03/2026: Entretanto mais artigos escritos por nós já foram mais uma vez copiados e adicionados ao site em questão. Fotografias em baixo, no decorrer do artigo.
Há coisas que, no jornalismo, são inegociáveis. A originalidade do trabalho é uma delas. Quando investimos horas a investigar, redigir e editar conteúdos sobre música – seja uma análise de um álbum ou sintetizador, a cobertura de uma feira internacional ou um concerto, ou um artigo de opinião – esperamos, no mínimo, que esse trabalho seja respeitado.
Infelizmente, nem todos partilham dessa ética. Vá se lá saber porquê, descobrimos que o site Porta B (portab.pt) pegou em, pelo menos, cinco artigos do musica.com.pt, reformulou o texto numa panela de pressão (vamos-lhe chamar betoneira artificial daqui para a frente), e publicou-os como conteúdo próprio. Sem crédito, sem autorização, sem qualquer menção à fonte original.
O mais caricato? Fizeram copy paste literal dos nossos títulos. E em vez de usarem imagens próprias em sede própria, ligaram diretamente às nossas imagens, ao nosso servidor, o que, ironicamente, constitui a prova mais flagrante do que aconteceu – e a consumir os nossos recursos sem pedir licença.
Tudo isto depois de alguém nos ter tentado hackar as redes sociais, site e contas de e-mail em Janeiro (podem ler sobre isso aqui). A verdade é que passamos 3+ semanas em modo OpSEC a defender o forte, e de um momento para o outro tudo parou. Será coincidência? Ou não?
Em jeitos de final-de-introdução, quando começámos a investigar esta situação para tentar perceber que artigos tinham sido “reciclados”, a páginas tantas encontramos algo que não foi bonito. O que poderia ter sido um simples e-mail para o dito “jornal” a tentar esclarecer a situação, na verdade levou-nos a algumas descobertas que infelizmente não podem ficar impunes e têm de ser reveladas (ao longo deste artigo).
Cheguem às vossas próprias conclusões. A nossa, está no fim do artigo.
O começo: Os artigos reciclados
Aqui fica o registo completo dos artigos que identificámos. Em todos os casos, o “método” é o mesmo: o título original mantém-se, o corpo do texto é reciclado por uma betoneira artificial, e as imagens são servidas diretamente a partir dos nossos servidores (querem ajudar com a conta anual? era fixe!).
Na verdade, duvidamos que haja algum contéudo original naquele site, sendo que parece ser tudo reciclado de outras fontes e nada ali é o que diz ser. Fomos tirar uns screenshots e gravar uns vídeos a documentar tudo, e temos todo o prazer em partilhar isso com vocês – para já, começamos com os ditos artigos e imagens que provam o que estamos aqui a contar.
Artigo 1 — NAMM NeXT Europe
Se carregarem nos links, podem ver exactamente do que estamos a falar. Título copiado, imagem copiada, texto adulterado, sem formatação, sem nenhuma imagem extra. Gostaria de ver se eles receberam também um e-mail da NAMM como nós.
🟢 ORIGINAL MUSICA.COM.PT: NAMM NeXT Europe: Música, Inovação e Cooperação no Coração de Bruxelas
🟢 ORIGINAL MUSICA.COM.PT: Informação directamente da fonte. Screenshot em baixo do e-mail que recebemos sobre o evento (carregar para ampliar).
🔴 FAKE: NAMM Next Europe: Música, Inovação e Cooperação no Coração de Bruxelas . Screenshot em baixo, o painel do lado direito (Inspector do Chrome) mostra a fonte original da imagem (carregar para ampliar).
Artigo 2 — Absynth 6
Mais uma vez, se carregarem nos links, podem ver exactamente do que estamos a falar. O título foi copiado, mas a imagem nem por isso (Daquelas risadas infinitas. Para quem não sabe, o Unsplash é um site que gera placeholders de imagens em qualquer tamanho… ali deve ter falhado algo na betoneira), texto adulterado, sem formatação, sem nenhuma imagem extra. E claro, deixo também em anexo prova da press release que recebemos.
🟢 ORIGINAL MUSICA.COM.PT: Absynth 6: Native Instruments Ressuscita o Sintetizador Que Moldou Uma Geração
🟢 ORIGINAL MUSICA.COM.PT: Informação directamente da fonte. Screenshot em baixo do e-mail que recebemos sobre o lançamento do Absynth (carregar para ampliar).
🔴 FAKE: Absynth 6: Native Instruments Ressuscita o Sintetizador que Moldou Uma Geração . Screenshot em baixo, o painel do lado direito (Inspector do Chrome) mostra a fonte original da imagem (neste caso o UnSplash, porque a betoneira-artificial muitas vezes é preguiçosa. Carregar para ampliar).
Artigo 3 — Launch Control XL 3
Vejam os links, cheguem às vossas próprias conclusões. Título copiado, imagem copiada, texto adulterado, sem formatação, sem nenhuma imagem extra.
Neste caso não recebemos e-mail nenhum da Novation, fizemos alguma investigação e no nosso artigo referimos que a informação foi retirada diretamente do site oficial da Novation, assim como referimos que os links que metemos para a Amazon podem gerar comissões para nós. Queremos e somos transparentes naquilo que fazemos.
🟢 ORIGINAL MUSICA.COM.PT: Launch Control XL 3: A Novation Reinventa o Controlo Tátil
🟢 ORIGINAL MUSICA.COM.PT: Podem ver o disclaimer que temos no final do artigo, onde mencionamos a fonte e as possíveis comissões da Amazon. E claro, uma bela foto minha tirada há uns 10 ou 15 anos atrás.
🔴 FAKE: Launch Control XL 3: A Novation Reinventa o Controlo Tátil . Screenshot em baixo, o painel do lado direito (Inspector do Chrome) mostra a fonte original da imagem a vir do musica.com.pt (carregar para ampliar).
Artigo 4 — Korg Multi/Poly
Mais uma vez, podem comparar os links e as imagens entre o original e o fake. Titulos idênticos, imagens que levam ao musica.com.pt. O artigo foi feito com base num e-mail enviado pela Korg (screenshot em baixo), e com mais informações sobre o Multi/Poly retiradas do site.
🟢 ORIGINAL MUSICA.COM.PT: Korg multi/poly: O Remake de uma Lenda que Vai Revolucionar o Teu Estúdio
🟢 ORIGINAL MUSICA.COM.PT: Informação directamente da fonte. Screenshot em baixo do e-mail que recebemos sobre o lançamento do multi/poly (carregar para ampliar).
🔴 FAKE: Korg Multi/Poly: O Remake de Uma Lenda que Vai Revolucionar o Teu Estúdio . Screenshot em baixo, o painel do lado direito (Inspector do Chrome) mostra a fonte original da imagem a vir do musica.com.pt (carregar para ampliar).
Artigo 5 — NAMM 2026
🟢 ORIGINAL MUSICA.COM.PT: Prepara-te para o NAMM 2026: 125 anos de História com Muita Música e Inovação
🟢 ORIGINAL MUSICA.COM.PT: Informação directamente da fonte. Screenshot em baixo do e-mail que recebemos sobre o evento (carregar para ampliar).
🔴 FAKE: Prepara-te para o NAMM 2026: 125 anos de História com Muita Música e Inovação . Screenshot em baixo, o painel do lado direito (Inspector do Chrome) mostra a fonte original da imagem a vir do musica.com.pt (carregar para ampliar).
Mais Artigos (Actualização 02/03/2026)
Entretanto mais artigos feitos por nós, assim como as nossas imagens ligadas directamente do nosso site, já foram alvo de nova reciclagem para o dito site. Screenshot em baixo. À data já contactamos a ERC, CCPJ, Unidade de Cibercrime da Policia Judiciária, assim como outro OCS, para que se possa reagir a isto de alguma forma.

As imagens e os títulos que denunciam tudo
Há 2 detalhes gritantes que tornam esta situação quase cómica na sua negligência/preguiça/alucinação.
Os títulos dos artigos são 100% idênticos
Comecemos pelos títulos. Não estamos a falar de títulos semelhantes, parecidos ou largamente inspirados nos nossos. Estamos a falar de títulos idênticos. Palavra por palavra, vírgula por vírgula, acento por acento. Sem qualquer alteração. Nem um prefixo, nem uma reformulação, nem uma vírgula fora do sítio. São os nossos títulos reproduzidos de forma absolutamente integral.
As imagens publicadas ligam diretamente ao musica.com.pt
Como vimos nas imagens em cima, todas as fotografias e materiais visuais que aparecem nestes artigos do portab.pt estão alojadas nos servidores do musica.com.pt. Não foram descarregadas, nem realojadas ou substituídas. Cada vez que alguém abre um destes artigos no Porta B, é o nosso servidor que entrega as imagens, consumindo os nossos recursos de alojamento e largura de banda, sem qualquer autorização.
Isto não é um detalhe técnico menor, mas a prova digital inequívoca de onde veio o conteúdo. Os endereços das imagens apontam, todos eles, para o musica.com.pt. Não há margem para segunda interpretação.
⚠️ Nota técnica: O hotlinking de imagens (servir ficheiros alojados noutro servidor sem autorização) é, por si só, uma prática condenável que viola os termos de utilização da maioria dos serviços de alojamento e constitui, na prática, uso não autorizado de recursos de terceiros.
O padrão: não é acidente, é método
Quando falamos de um artigo reciclado, pode haver margem (pode mesmo?) para argumentar que foi coincidência – que dois sites, ao cobrir o mesmo tema, chegaram a resultados parecidos. Mas cinco artigos? Com títulos absolutamente idênticos? Com as nossas imagens a serem usadas? Isso não é coincidência.
Podemos dizer “Ah e tal, isto é hip hop, foste samplado”. E na boa, também já samplei várias vezes. Mas com carinho e respeito. Com autorização. Sem usar os recursos alheios.
O workflow desta DAW é claro: algo ou alguém no Porta B monitorizou os conteúdos do musica.com.pt, copiou o título sem alterar uma única palavra, alimentou o corpo do nosso artigo a uma betoneira artificial para o reformular, mantendo as nossas imagens via hotlinking, e publicou na secção de tecnologia (link para a secção de tecnologia do portab.pt).
No fundo é uma linha de montagem, de conteúdo alheio com verniz artificial, a dizer que é uma coisa e a fazer outra. E não está sozinha, como vamos ver mais em baixo.
Reformular não é criar: o que diz a lei e mais uma vez, as questões de direitos autorais.
Há quem possa argumentar que, se o texto não é copiado palavra por palavra, não há plágio. Essa leitura é não só incorreta como perigosa. Mais uma vez, “fomos samplados” não justifica.
O Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos (CDADC) protege não apenas a forma literal de uma obra, mas a sua originalidade enquanto criação intelectual. O artigo 1.º protege as “criações intelectuais do domínio literário, científico e artístico”, e o artigo 68.º reserva ao autor o direito exclusivo de autorizar a reprodução, adaptação ou transformação da sua obra.
Uma reformulação feita por uma betoneira-artificial de um artigo jornalístico, que mantém títulos idênticos, a mesma estrutura, os mesmos factos apurados, o mesmo ângulo editorial e as mesmas imagens, configura uma adaptação ou transformação não autorizada – para além do já mencionado uso indevido de imagens que estão no nosso servidor, e da possível introdução de erros/alucinações/factos inventados e preguiça computacional.
Além disso, o Estatuto do Jornalista consagra o direito à proteção da obra jornalística. A utilização sistemática de betoneiras-artificiais para reciclar conteúdos sem atribuição configura não apenas uma violação de direitos de autor, mas também uma prática de concorrência desleal.
O facto de ter sido uma máquina a reformular o texto não altera em nada a responsabilidade de quem decidiu fazê-lo.
Reflexão: A Idade do Erro
O musica.com.pt é um projeto independente de jornalismo musical. Não temos uma redação de dezenas de pessoas. Cada artigo que publicamos é fruto de trabalho real de pesquisa, entrevistas, verificação de factos, edição, múltiplas revisões, até o artigo finalmente ser publicado.
Quando alguém pega no nosso trabalho, passa-o por uma betoneira-artificial e publica-o como seu, não está apenas a violar a lei. Está a tornar-se cúmplice de um modelo que destrói o jornalismo original por dentro. E vocês, os consumidores, passam a consumir jornalixo.
Esta é, talvez, a questão mais grave de todas. As betoneiras podem ser ferramentas extraordinárias quando usadas para mini-micro-tarefas – e nem isso, se ainda se enganam a somar 1+1. Elas vão falhar, vão esquecer e ser preguiçosas, e depois alucinam.
Apesar de estarmos a falar no nosso caso e de jornalismo, o problema é transversal para todas as áreas humanas e criativas. Estamos a entrar na Idade do Erro, na idade e época em que os nossos cérebros já estão tão desligados e acomodados à velocidade, que não nos conseguimos aperceber dos pequenos pormenores. Daquilo que faz o humano ser humano. A nossa imperfeição, a nossa dissonância, o nosso artesanato, em que nenhuma criação sai igual – seja na pintura, escultura, escrita, música, o que for.
Quando essa betoneira-artificial é usada para criar a ilusão de produção editorial onde não existe nenhuma; quando serve para mascarar plágio com uma camada de reformulação automática; quando começa a haver erro, preguiça, alucinação, e esse erro começa a propagar-se por outros sistemas idênticos; estamos a propagar o erro, e a torná-lo maior.
Porque a betoneira seguinte vai-se alimentar do erro da betoneira anterior, e vai acrescentar erros também. E assim sucessivamente, até não restar mais nada a não ser scat / gibberish / mumble / gobbledygook . Estamos realmente à beira do precipício, e a ir a uma velocidade cada vez mais rápida em direcção a ele.
O que mais conseguimos apurar sobre o/a PortaB.pt
Quero ser bastante pragmático nesta minha análise, e também através desta análise, mostrar-vos como podem detectar certas coisas que à primeira vista não são aparentes, mas que vos podem ajudar a identificar em quem podem ou não confiar.
O PortaB.pt no seu site inclui uma quantidade de verborreia extensa. Podem ler-se coisas como “Jornalismo independente sobre cultura, poder e indústria musical no espaço lusófono.” , ou “Verificação Factual Fontes Protegidas Sem Algoritmos”, ou ainda “Jornalismo Independente · Cultura · Investigação”.
Certo, mas meus caros… vocês praticam mesmo isso? Eu duvido.

Depois do exposto em cima, é engraçado-sem-graça-nenhuma ler coisas como “jornalismo independente”, “equipa empenhada”, “nasceu da necessidade de criar transparência na cultura portuguesa, expor práticas da indústria musical”. Não há um nome, nada nem ninguém por detrás daquela iniciativa.
Antes de mais, para se ser um “JORNAL” e se fazer “JORNALISMO” em Portugal, tem que haver um registo na ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) como OCS (Orgão de Comunicação Social).
Esse registo na ERC implica que exista alguém nesse OCS, e específicamente para se ser um “JORNAL”, que tenha de ter carteira de Jornalista ou Equiparado a Jornalista emitido pela CCPJ (Comissão da Carteira Profissional de Jornalista) a ocupar o cargo de director de informação.
E com isto, e em nome da transparência, vêm algumas obrigações. Por exemplo, temos de ter no rodapé certas informações – desde o número de registo na ERC, ao nome do diretor, e à localização da sede.
Somos também obrigados a ter um Estatuto Editorial bem definido, assim como a Ficha Técnica onde constam várias informações que também são necessárias – desde o nome da publicação, à natureza e periodicidade, assim como informação sobre o diretor de informação e o número de cartão de jornalista ou equiparado. E claro, mais uma vez o número do registo na ERC e informação sobre a tiragem (ou falta dela).
Tudo isto contribui para sermos transparentes naquilo que fazemos, e para vocês, ajuda-vos a perceber se estão realmente num sítio fidedigno ou não.

Pelo que apurámos (ver imagens em cima), o site PortaB.pt não tem nenhuma das informações requeridas por lei.
Na página “Sobre” do PortaB.pt encontra-se uma menção vaga a “Fundada em 2024, a PORTA B é um meio de comunicação social registado em Portugal (…)” – ver imagem em baixo – no entanto sem o número de registo de OCS.

Não só, mas qualquer OCS (Orgão de Comunicação Social) também tem de estar registado no Portal da Transparência dos Media – registo que não encontramos relativamente a este site.
Já para não falar da secção “A Nossa Missão”, onde podemos ler outra vez palavras como “transparência”, “exposição de práticas questionáveis”, “escrutínio jornalístico sério” – vocês conseguem chegar ao mesmo riso fácil que nós chegámos.
É interessante ler também que esse site foi fundado em 2024, mas o domínio foi apenas registado em 2026.
Como é que nós sabemos disso? Para quem está bem familiarizado com estas coisas da Internet, sabe que existe uma ferramenta chamada WHOIS, que é onde podemos ver quando o domínio foi registado, quando é que esse registo vai expirar, e que empresa foi usada para se efectuar esse registo. É informação pública. Podem ver em baixo um exemplo de um WHOIS.

Como curiosidade, antes do RGPD, esses pequenos relatórios até mostravam o nome da pessoa e a sua morada, assim como o telefone. É uma pena.
E claro, tivemos de ir espreitar às redes sociais
No Facebook não encontrámos nada do PortaB. Já no Instagram a história foi diferente.
A PortaB apresenta-se como “A outra porta da cultura. Notícias culturais, investigações exclusivas e análises profundas. Totalmente independente. Equipa de jornalistas, músicos e analistas.” .

Os primeiro posts que foram feitos nesta conta, datam do dia 22 de Janeiro deste ano. O outro post diz o seguinte: “O TripAdvisor da Cultura em Portugal. Agora todos são avaliados”.

Vamos avaliar então? Façam um exercício.
Vejam bem os vídeos (poucos) que estão no perfil do Instagram. Notam alguma coisa? Várias coisas?


A cara da pessoa/modelo até pode ser verdadeira, mas reparem no movimento (ou falta dele) e pose das mãos/braços e gestos. Reparem no reflexo de luz nos óculos (ou falta dele). Os reflexos da luz na janela sempre consistentes (excepto um), o penteado que está sempre na mesma, com os mesmos cabelos “despenteados” em dias diferentes (vejam em grande), o braço esquerdo sempre off-camera, os gestos da mão direita sempre iguais. Sinais nos braços que trocam de sítio. Enfim.
A maior parte das imagens/stills mostradas nos vídeos, quando não são pessoas que conhecemos, é tudo AI. Vamos falar de transparência?
É assustador. Adoro tecnologia mas isto toma umas proporções que são absurdas, pois está com uma qualidade incrível.
A verdade é que não fomos mesmo os únicos a ser “desapropriados” dos nossos bens. Vêm a marca de água na fotografia da Gisela João? Houve mais OCS a serem “reciclados”, com as suas imagens a serem usadas directamente.

E lembram-se do ano de fundação, 2024? Afinal é 2026, outra vez.

A Caixa de Pandora: O Estado das Coisas e o que Conseguimos Apurar
Como referimos antes, o facto de ter sido uma máquina a reformular o texto não altera em nada a responsabilidade de quem decidiu fazê-lo. E neste caso, a teia é grande.
O que veio a seguir é que torna isto assustador. O PortaB faz parte de uma rede de sites e perfis de redes sociais que todos levam ao mesmo sítio, e todos tem a mesma origem na betoneira-artificial. Do perfil do Instagram do PortaB, demos com o perfil dos Eletricovinteoito – uma banda AI que pelos vistos se situa numa Lisboa virtual.

Estão ali a ver a caixa que diz “Former Usernames” ? Pelos vistos já mudou de nome uma vez.
De ambos os perfis, encontrámos também outros perfis – _dua.ai (provavelmente a great-betoneira-in-the-sky) , dua_coin (cripto/tokens, ver mais em https://duacoin.2lados.pt/) e kyntal_ (pseudo-distribuidora com um laço bem forte à cripto/token anterior, ver kyntal.pt). Estes perfis, criados todos sensivelmente na mesma altura, têm músicos e a comunidade musical e artística como público-alvo.
Todos estes perfis nas redes sociais trocam likes como se fossem cromos (tráfico de influências versão século 21 e meio), e onde tudo parece afunilar na “pseudo-empresa” 2 Lados (@_2lados) – que é a que tem o perfil mais antigo, cerca de 2023, mas que também já mudou de nome entretanto.
Desta “pseudo-empresa”/”pseudo-marca” que detém tudo isto, há um dominio – 2lados.pt. Neste dominio podemos então ficar a saber mais sobre estas cripto-iniciativas e distribuição – nada mais que promessas vazias e números exorbitantes para impressionar os mais incautos. E claro, uma porta aberta para vocês investirem em algo que muito possivelmente não terá retorno.

Custa-nos ver que a comunidade musical e artística seja alvo deste tipo de tentativas de fraude/scam. Sabemos de perto as vossas dificuldades para subsistir e continuar a trabalhar de forma sustentável, e este tipo de aliciamento enganoso pode levar a muitos (ou alguns) de vós a cair na tentação.
Tomem nota: Em Portugal, qualquer entidade que preste serviços financeiros relacionados com criptoativos (seja compra, venda, troca ou custódia) tem de estar registada no Banco de Portugal como Prestador de Serviços de Ativos Virtuais (VASP). Se seguirem o link anterior, podem ver uma lista pública de VASPs autorizados – não conseguimos encontrar nenhuma referência nem a 2Lados, nem a DUA Coin, nem a Kyntal.
Todo este processo de registo junto do BdP é extremamente exigente, e estas entidades financeiras devem-se sempre identificar perante os clientes, e a indicar também a entidade reguladora. É uma questão de transparência e ética, afinal de contas.
E convém deixar mais um alerta. Tenham sempre atenção e verifiquem muito bem com quem decidem “trabalhar” antes de gastarem as vossas poupanças. Se certas informações legais não estiverem claramente visíveis, já sabem – procurem outro sítio.

O único contacto é apenas um e-email e um número de telefone.

Este número de telefone é consistente com o Facebook. E é aqui que à partida “mora o grande cérebro” desta operação de perfis falsos em redes sociais, de sites que enganam à primeira vista, mas que no fundo é tudo a mesma merd…… betoneira.
Se forem fazer o WHOIS a este dominio, vão ver que a data de registo foi em Maio de 2025. Já a data de criação do perfil no Facebook, 24 de Abril de 2025.

Descobrimos ainda mais um site/serviço, com base numa pesquisa através do número de telefone pelo Google. Mais uma vez a teia expande-se, e desta vez através de uma “assistente de justiça” – plataforma691.com – registada em 18 de Setembro de 2025, e que mais uma vez afunila para a 2lados.
Tive de parar por aqui com esta investigação, pois quer-me parecer que podia continuar mais umas valentes horas nisto.
O que já fizemos e o que vamos fazer
Documentação completa – Todos os artigos copiados, site e redes sociais (é público) foram documentados com screenshots, URLs e registos de data, incluindo capturas do código-fonte que comprovam o hotlinking das imagens, e gravações em vídeo.
Informar a ERC – Como pessoas responsáveis, é o que tem de ser feito. Não podemos ser cúmplices deste tipo de práticas e má fé. Não só os nossos conteúdos e recursos foram devassados, mas, muito do que se lê naquele site são exageros, mentiras, palavras fáceis e sensacionalismo para quem vê na discordia um tópico, e que mostram uma falta de ética incrível ao fazerem-se passar pelo que não são, enganando assim os utilizadores.
Actualização 02/03/2026: Neste momento já contactamos também a CCPJ, outro OCS que também sofre de “reciclagem de conteúdos em mãos alheias” e a brigada de ciber crime da PJ devido ao tempero extra – esquemas de cripto-moedas/tokens.
Por consequência, todos os outros sites parecem ser um grande scam. Não há pessoas por trás, não há caras, não há nomes, tudo a afunilar num só sítio, e só um número de telefone. Se alguem quiser ligar que esteja à vontade, depois digam-nos como foi.
A nossa (triste) conclusão.
Este artigo não é escrito com prazer. Podia ter dormido uma noite descansada, mas não foi o caso. Ninguém gosta de expor situações destas publicamente. Mas quando o silêncio se torna cúmplice da repetição, a transparência é a única resposta possível.
Se deixarmos esta situação passar em branco, estamos apenas a validar estas acções e é apenas uma questão de tempo até se voltar a repetir.
Vivemos tempos perigosos, tempos cheios de erros provocados pela betoneira-artificial, onde a grande velocidade que nos liga a todos através da fibra, 5G e wireless não nos permite ver realmente a fundo.
A nossa história começou com indignação, a tentar perceber o que nos tinham reciclado e porquê, e no fim acabámos reduzidos a uma teia de perfis falsos, sites e páginas infindáveis, tudo feito com o intuito de enganar a comunidade musical e artística das mais diversas formas – desde conteúdo que engana através do seu sensacionalismo, à utilização de recursos alheios e tentar enganar-vos em esquemas de cripto e promessas de um amanhã melhor.
Aos nossos leitores e amigos/as/xs: obrigado por nos acompanharem. É por vocês que continuamos.
Façam um favor a vocês próprios durante este fim de semana e desliguem-se das máquinas. Vão a concertos. Apanhem sol e/ou chuva. Vão caminhar à beira mar ou no topo da montanha. Vão aprender a tocar um instrumento, bailar, ou mandar uns chutos numa bola de futebol. Mas não fiquem em casa colados ao ecrã.
Ao Porta B, 2 Lados e restante comitiva: retratem-se e retirem-se.
Se tens conhecimento de outros casos de cópia de conteúdos do musica.com.pt, ou se queres reportar práticas semelhantes noutros meios, contacta-nos.














